MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa cai com cautela após nova ameaça de Trump ao Irã

Índice recuou 0,70%, pressionado por Vale e incertezas externas, enquanto Petrobras avançou com a alta do petróleo

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 18:33
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O Ibovespa encerrou o pregão em queda pela segunda vez na semana, em meio ao aumento da cautela dos investidores depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com novos ataques. As declarações reduziram a expectativa, criada recentemente pelo próprio Trump, de que um acordo para encerrar o conflito e reabrir o tráfego de navios no Estreito de Ormuz pudesse ser fechado em poucos dias.

A proximidade da abertura de capital da SpaceX também foi citada como fator negativo para a bolsa brasileira e para outros mercados. A avaliação é de que investidores estariam vendendo posições em diferentes ativos para levantar recursos destinados à operação. "Além do ruído geopolítico, tem pessoas fazendo um pouco de funding para entrar na oferta", afirmou Leonardo Morales, diretor da SVN Gestão.

O Ibovespa recuou 0,70%, aos 168.619,26 pontos, ficando mais próximo da mínima do dia, de 168.070,99 pontos, do que da máxima da sessão, de 169.812,46 pontos. A Vale foi o principal destaque negativo, com baixa de 1,02%, retirando 0,12 ponto porcentual da variação do índice.

Na ponta positiva, o melhor desempenho veio da Petrobras, com alta de 1,50% nas ações PETR3 e de 1,17% nas PETR4. O avanço acompanhou a elevação dos preços do petróleo e contribuiu positivamente com 0,16 ponto para o Ibovespa no dia.

Felipe Cima, especialista de renda variável da Manchester Investimentos, avalia que, além do conflito no Oriente Médio, os investidores adotam postura mais cautelosa antes de decisões importantes de política monetária previstas para a próxima semana, especialmente as do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, e do Banco Central brasileiro.

No Brasil, as expectativas estão divididas. O mercado vê maior chance de manutenção da Selic em 14,50%, enquanto economistas avaliam que o Banco Central reduzirá os juros e indicará aumento dos riscos de a inflação ficar acima do previsto, o que impediria novos cortes adiante.

"Se parar agora, o mercado vai começar a exigir alta de juros", disse Cima. Segundo ele, para a Bolsa voltar a subir, seria necessário que o Banco Central reduzisse a Selic. O especialista acrescenta que a inflação atua contra esse cenário, mas que a redução dos incentivos fiscais com efeito na atividade econômica permitiria um afrouxamento monetário.