MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros fecham em leve queda após sessão volátil na B3

Movimento foi visto por agentes como correção depois do estresse recente, sem gatilho específico para a devolução parcial dos prêmios

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 18:08
Reprodução / Agência Brasil

Em mais um dia de volatilidade, os juros futuros negociados na B3 mudaram de direção na segunda metade do pregão e terminaram com leve baixa. Apesar do recuo, os movimentos foram limitados e não representaram uma devolução expressiva dos prêmios de risco acumulados nos últimos dias.

Segundo agentes do mercado, o alívio discreto não teve um fator específico, mas foi interpretado como uma correção após o estresse que levou as taxas futuras a se aproximarem do patamar de 15% nas sessões anteriores.

A ponta curta da curva apresentou queda de 3 a 4 pontos-base durante quase toda a tarde, em ajuste depois da forte alta provocada pela reprecificação da trajetória da Selic. Os vértices curtos e intermediários passaram boa parte do período próximos dos ajustes, mas consolidaram uma baixa moderada nas horas finais do pregão.

Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,511% no ajuste anterior para 14,495%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 14,968% para 14,94%. Já o DI para janeiro de 2031 oscilou de 14,809% no ajuste de terça-feira para 14,82%.

"O mercado está disfuncional e com bastante volatilidade no intraday. Qualquer fluxo para um lado ou outro mexe bastante a curva", afirmou à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Sergio Goldenstein, sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia.

Um estrategista de uma grande corretora, que falou sob anonimato, avaliou que não houve uma motivação relevante para a queda das taxas. Para ele, a explicação mais provável é que "o processo de ajuste do mercado passou do ponto e agora começam a aparecer aplicadores".

Os contratos de DI iniciaram a sessão em forte alta, em reação aos ataques dos Estados Unidos contra o Irã realizados na madrugada, como retaliação a uma suposta ofensiva iraniana a um helicóptero americano ocorrida na terça-feira. No início da tarde desta quarta-feira, 10, Donald Trump voltou a elevar o tom contra Teerã ao afirmar que Washington voltará a atacar o país persa.

Com as novas ameaças e a redução dos estoques semanais da commodity nos Estados Unidos, o petróleo Brent para agosto, referência para a Petrobras, encerrou o pregão em alta de 1,8%, cotado a US$ 93,1 por barril.

No cenário doméstico, a pesquisa Genial/Quaest, divulgada antes da abertura dos negócios, também contribuiu para um comportamento mais pressionado dos juros, segundo um gestor de uma corretora. O levantamento indicou que o presidente Lula ampliou a vantagem sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, com 44% das intenções de voto, contra 38% do senador.

Mesmo diante da enquete eleitoral e do ambiente externo tensionado, os juros futuros passaram a operar em relativa estabilidade no início da tarde e, posteriormente, migraram para um viés de queda.

Gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar avalia que a devolução moderada reflete ajustes técnicos, sem mudança na percepção dos investidores sobre o cenário, que ficou mais adverso desde o feriado de Corpus Christi.

"O movimento chegou em um ponto em que o mercado julga que já tem muito prêmio", disse Bacelar, ao comentar a rápida mudança nas expectativas para a taxa básica de juros, que não deve ter novos cortes este ano.

"Ainda há discussão sobre os estímulos fiscais, efeitos do El Niño, uma série de riscos para a inflação", afirmou Bacelar. Ele não apresentou uma projeção para a reunião da próxima quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado de opções digitais aponta cerca de 70% de probabilidade de manutenção da Selic nos atuais 14,50%, contra 30% de chance de corte de 0,25 ponto.

Em revisão de cenário divulgada nesta quarta-feira, o ASA alterou a projeção para a Selic terminal de 2026 de 13,25% para 14,25%. Na avaliação do economista Leonardo Costa, a reunião de junho deve marcar o fim do ciclo de corte de juros no Brasil, com redução de 25 pontos-base. A instituição também elevou a previsão para a alta do IPCA deste ano, de 5,3% para 5,5%.

Nos Estados Unidos, o CPI divulgado no dia veio exatamente em linha com as expectativas, com avanço de 0,5% em maio e de 4,2% na comparação anual. A curva dos Treasuries, no entanto, não sustentou alívio após o dado, em meio à expectativa de que o Federal Reserve (Fed) permaneça em compasso de espera na condução dos juros.

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