CONCESSÃO PÚBLICA

São Paulo abre consulta para conceder Praça Roosevelt à iniciativa privada por 20 anos

Projeto prevê requalificação, manutenção, exploração do estacionamento subterrâneo e possibilidade de venda dos naming rights do espaço

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 18:05
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Prefeitura de São Paulo abriu consulta pública sobre a concessão da gestão da Praça Roosevelt, no centro da capital, à iniciativa privada por 20 anos. A proposta prevê obras de requalificação, manutenção do espaço e a possibilidade de exploração dos naming rights, direito de dar um nome comercial ao local.

O projeto tem gerado preocupação entre moradores, que temem a repetição de problemas registrados na concessão do Vale do Anhangabaú.

A principal fonte de receita prevista para a concessão é a exploração comercial do estacionamento subterrâneo da praça, que tem mais de 400 vagas. O potencial de arrecadação estimado é de R$ 3,6 milhões por ano.

De acordo com a Prefeitura, a futura concessionária deverá investir cerca de R$ 8 milhões em obras de recuperação e requalificação do complexo. Ao longo dos 20 anos de contrato, a previsão é de R$ 38 milhões em gastos com manutenção e operação.

O secretário municipal das Subprefeituras, Fabrício Cobra, afirma que o projeto não se limita à praça, mas envolve todo o chamado Complexo Roosevelt.

"A âncora financeira da concessão é a exploração comercial do estacionamento subterrâneo. A partir disso, o concessionário terá obrigações de requalificar a praça, melhorar drenagem, recuperar pergolados, revitalizar quiosques, ampliar áreas verdes, cuidar do belvedere e fazer a manutenção permanente do espaço", afirmou ao Estadão.

Conforme minuta da Prefeitura, a concessionária deverá pagar ao menos R$ 2,9 milhões.

Entre as intervenções previstas estão obras de drenagem, recuperação dos quiosques, que estão desativados, melhorias estruturais no estacionamento e a requalificação da Rua Gravataí, ligação entre a Praça Roosevelt e o Parque Augusta.

A proposta também inclui a possibilidade de exploração dos naming rights da praça, ponto que ganhou destaque após a divulgação do edital. Segundo Cobra, a discussão ainda está aberta durante a fase de consulta pública, citada no material para 17 de julho.

A Prefeitura afirma que a concessionária não poderá restringir o acesso ao espaço nem fechá-lo, total ou parcialmente, para a realização de eventos. "Não haverá nenhum tipo de mudança para quem frequenta a Roosevelt hoje. Skatistas, artistas, moradores e demais usuários continuarão tendo acesso livre ao espaço."

Mesmo com problemas, praça segue ocupada por skatistas, famílias e ciclistas

A jornalista Denize Bacoccina, que mora em frente à Roosevelt desde 2017, relata problemas estruturais no pergolado, atualmente isolado por grades para evitar acidentes, e o abandono dos dois quiosques que funcionavam como cafés. Segundo ela, os locais chegaram a ser cercados por tapumes, depois retirados.

"A praça realmente está numa situação muito precária em termos de manutenção e conservação. Tem bueiros e ralos entupidos que formam poças dágua que ficam dias após as chuvas", relata.

Apesar dos problemas, a Praça Roosevelt continua sendo um dos espaços públicos mais movimentados do centro. Skatistas, famílias com crianças e ciclistas são vistos com frequência no local nos fins de semana. Esse perfil de ocupação espontânea é um dos pontos que preocupam parte dos moradores diante da concessão.

Nas redes sociais, o coletivo Ocupa Roosevelt criticou a proposta e relacionou o projeto à experiência do Vale do Anhangabaú. Em abril, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a abertura do processo de encerramento do contrato com a concessionária Viva o Vale, responsável pela administração do Vale do Anhangabaú.

O anúncio ocorreu após a concessionária instalar um estacionamento privado em uma área antes destinada exclusivamente a pedestres. A Viva o Vale informou que foi notificada pela Prefeitura e apresentou sua manifestação.

Nunes alegou que o pedido de caducidade foi feito devido a uma série de infrações cometidas pela empresa, o que levou a Prefeitura a emitir 32 multas, que somam R$ 15 milhões.

Prefeitura afasta comparação com o Anhangabaú

Questionado sobre as críticas, Fabrício Cobra rejeitou a comparação entre os dois projetos. Segundo ele, a vocação da Praça Roosevelt é diferente da do Vale do Anhangabaú.

"São espaços com características absolutamente diferentes. O Anhangabaú tem um histórico de eventos e uma concessão voltada para esse tipo de ativação. A Praça Roosevelt não é um local de eventos; ela é uma praça, um ponto de conexão entre a Baixa Augusta e o centro", afirmou.

O secretário disse que os moradores podem ficar tranquilos em relação à preservação do acesso público e sustentou que a concessão permitirá recuperar áreas degradadas sem mudar a identidade do espaço.

"Eles terão uma praça mais requalificada, com melhor uso, mais ativação e mais frequentada do que é hoje", afirmou.

A consulta pública do projeto está aberta até julho. Após a análise das contribuições recebidas, a Prefeitura deverá publicar o edital definitivo e abrir a licitação para escolher a empresa responsável pela gestão da Praça Roosevelt pelos próximos 20 anos.