MERCADO FINANCEIRO

Dólar cai 0,09% com alívio após dado de inflação dos EUA

Moeda norte-americana fechou a R$ 5,1726, em sessão marcada por volatilidade e tensão envolvendo Estados Unidos e Irã

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 17:48
Reprodução

O dólar terminou a quarta-feira, 10, em leve queda, após uma manhã de forte volatilidade. O real voltou a mostrar recuperação depois de ter registrado uma das piores performances entre moedas emergentes na semana anterior.

Apesar das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã, a alta menor do que a esperada no núcleo do índice de preços ao consumidor dos EUA, o CPI, reduziu o temor de pressão adicional sobre os juros americanos e ajudou a aliviar o estresse no mercado cambial.

No mercado à vista, a moeda norte-americana chegou à máxima de R$ 5,1976, alta de 0,39%, e à mínima de R$ 5,1596, queda de 0,35%, durante a manhã. No fechamento, o dólar recuou 0,09%, cotado a R$ 5,1726.

A divisa ainda acumula alta de 0,30% na semana e de 2,57% no mês, mas registra queda de 5,76% em 2026. Já o contrato futuro para julho cedia 0,10% por volta das 17h15, em movimento diferente da alta tímida de 0,13% do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes.

A percepção de que a guerra no Oriente Médio pode se prolongar influenciou a máxima do dólar mais cedo. Donald Trump prometeu que Washington voltará a atacar o Irã ainda nesta quarta-feira, após bombardeios contra alvos iranianos na madrugada. À tarde, o republicano afirmou também que o exército iraniano está derrotado.

O operador de câmbio José Carreira, da Fair Corretora, disse que já era esperado que o dólar abrisse em alta por causa dos ataques dos EUA ao Irã durante a madrugada e do estreito de Ormuz novamente fechado. Segundo ele, a leitura do mercado era de que um petróleo mais caro poderia gerar inflação maior no mundo, inclusive no Brasil.

No campo inflacionário, porém, o núcleo do CPI dos Estados Unidos, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, veio abaixo do esperado. O resultado deu impulso para que o real retomasse uma tendência de discreta valorização, depois de ter ficado entre as moedas emergentes de pior desempenho na semana passada.

A especialista em câmbio e crédito da be.smart, Jaqueline Neo, afirmou que a inflação americana é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, pois influencia diretamente os juros do Federal Reserve. Nesse contexto, uma alta menor do núcleo do CPI foi recebida como boa notícia.

Carreira, da Fair, também avaliou que, no início, o mercado esperava um ataque mais pesado dos EUA contra o Irã nesta noite, mas passou a ponderar se a ação realmente será realizada. “Às vezes o Trump também joga muita espuma e não faz nada. Só fala e não age”, afirmou.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial em junho, até o dia 5, foi positivo em US$ 2,588 bilhões. Com isso, o saldo acumulado de 2026 aumentou para US$ 16,6 bilhões.

O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, lembrou, em nota, que a depreciação do real na semana passada, de 2,6%, fez com que a moeda brasileira tivesse desempenho pior do que a maioria das divisas emergentes.

O estrategista de câmbio e juros do Bank of America Securities, Oliver Levingston, considera que diminuiu o apetite por operações de carry trade em moedas de mercados emergentes que não são exportadores de commodities, diante da incerteza sobre a gravidade do choque de oferta de petróleo. Segundo ele, esse não é o caso do Brasil, que é exportador líquido de petróleo. Assim, a alta de cerca de 2% da commodity nesta quarta-feira também pode ter contribuído para sustentar a leve recuperação do real.