COMÉRCIO EXTERIOR

Trocas comerciais entre Brasil e EUA recuam 14,3% até maio, aponta Amcham

Levantamento indica queda nas exportações e importações, com déficit brasileiro de US$ 1,5 bilhão no período

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 17:34
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O comércio entre Brasil e Estados Unidos manteve trajetória de desaceleração em 2026, de acordo com a edição mais recente do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. De janeiro a maio, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, uma redução de 14,3% na comparação com o mesmo período de 2025.

As exportações brasileiras para o mercado norte-americano alcançaram US$ 14,0 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, queda de 16% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O resultado é o menor para o período desde 2022. Entre os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais, a retração foi ainda maior, de 22,6%.

Segundo o levantamento, o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos ficou abaixo do ritmo das exportações totais do Brasil para o mundo, que cresceram 8,7% entre janeiro e maio.

O cenário ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301, conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso as medidas propostas nesses relatórios sejam confirmadas, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, o que reduziria sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.

Nas importações, as compras brasileiras de produtos americanos somaram US$ 15,5 bilhões, com recuo de 12,6%. Com isso, o déficit brasileiro no comércio bilateral cresceu 43,3% e chegou a US$ 1,5 bilhão.

De acordo com a Amcham, a retração das exportações foi influenciada principalmente pelas quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Já nas importações, os principais recuos ocorreram nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, além de óleos brutos de petróleo.

“O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Em maio, conforme já mostrado pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, as exportações brasileiras para os Estados Unidos chegaram a US$ 3,1 bilhões, queda de 14,0% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o décimo mês consecutivo de retração. As importações também recuaram, com baixa de 11,0%, registrando o sexto mês seguido de queda.