Sánchez mantém liderança estreita sobre Keiko na apuração peruana
Com 97,8% das urnas apuradas, diferença é de 7,3 mil votos; resultado definitivo deve sair em meados de julho
A apuração da eleição presidencial no Peru seguia apertada nesta quarta-feira (10). A vantagem do candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino caiu para 7,3 mil votos sobre a candidata de direita Keiko Fujimori, em um universo de mais de 27 milhões de eleitores aptos a votar.
Com 97,8% das urnas apuradas, Sánchez aparece com 50,020% dos votos válidos, contra 49,980% de Keiko. Ao meio-dia de ontem (9), Sánchez estava 19 mil votos à frente de Keiko, com 95,9% das urnas apuradas.
A diferença chegou a cerca de 4 mil votos na manhã desta quarta-feira, mas voltou a crescer nas atualizações seguintes. Até o fechamento da reportagem original, a contagem era informada pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru.
Nas últimas 24 horas, Sánchez chegou a abrir mais de 40 mil votos de vantagem sobre Fujimori. A diferença, porém, passou a diminuir com o avanço dos votos destinados à filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000.
A apuração dos votos dos peruanos no exterior, que está mais atrasada, favorece Keiko, com 63,3% dos votos, contra 36,6% para Sánchez.
Do total de 92,7 mil atas da eleição peruana, ainda restam 378 a serem contabilizadas. Entre os eleitores peruanos, 1,2 milhão estão no exterior, o que representa 4,4% do eleitorado, segundo dados oficiais.
Reviravoltas
No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko chegou a ter 200 mil votos de vantagem sobre Sánchez. Isso ocorreu porque as urnas de Lima, capital do país, foram computadas primeiro.
O resultado parcial mudou na segunda-feira (8), quando Sánchez ultrapassou Keiko numericamente, com 93,9% das urnas apuradas.
Apesar de a apuração se aproximar de 100% das urnas, o Jurado Nacional de Eleições (JNE), autoridade máxima eleitoral do Peru, afirmou que os resultados definitivos devem ser finalizados apenas em “meados de julho”.
O prazo ocorre porque foi acrescentado ao processo de apuração um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram alguma inconsistência. O JNE informa que, até o momento, foram recebidas 1,3 mil atas “em observação”.
Keiko x Sánchez
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, com duração de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, apontado no texto original como o poder de fato no país.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, incluindo esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu as últimas três eleições no segundo turno, em 2011, 2016 e 2021.
Roberto Sánchez é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.
Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru e foi ministro de Castillo. Depois de votar no domingo (7), em Lima, Sánchez foi ao presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, e permaneceu no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.