Lula diz que falará com Sheinbaum e cita risco de instabilidade no México
Presidente comparou possíveis protestos no país às mobilizações de 2013 no Brasil durante reunião do Conselhão, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (10) que pretende conversar por telefone com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para tratar da conjuntura política mexicana.
A declaração foi feita durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselho, realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Com o tema "Da soberania nacional ao protagonismo global", o encontro reuniu ministros do governo federal, empresários e lideranças da sociedade civil para discutir metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis.
Segundo o Palácio do Planalto, a reunião teve como foco a construção de estratégias para ampliar o crescimento econômico e fortalecer a inserção internacional do Brasil.
Ao comentar a situação política do México, Lula disse enxergar sinais de uma movimentação semelhante à que, segundo ele, contribuiu para a instabilidade política brasileira a partir de 2013.
O presidente alertou que, "por um dedo que talvez nem seja mexicano", protestos semelhantes aos registrados no Brasil naquele ano poderiam ganhar força no México. Para Lula, as mobilizações brasileiras abriram espaço para mudanças profundas no cenário político nacional.
“Todo mundo está lembrado de que uma simples reivindicação de 20 centavos de aumento do transporte foi o grande eixo para que a extrema direita tomasse conta das ruas”, disse.
Durante o discurso, Lula também criticou correntes de pensamento interessantes aos investimentos públicos e associou essa visão aos problemas históricos de desenvolvimento do país.
“Quanto custou não fazer ap**** das coisas certas nesse”, afirmou o presidente, ao defender o papel do Estado na promoção do crescimento económico, da infraestrutura e da inclusão social.
Lula também comentou as ameaças de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele questionou os argumentos ambientais utilizados para complicações possíveis restritivas e destacou os resultados obtidos pelo Brasil na redução do desmatamento.
"Por muito desmatamento? Será que eles não perceberão que eles já estão carecas? E que nós ainda estamos como jogadores cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que eles não se darão conta de que nós, nesses três anos, diminuímos o desmatamento em todos os biomas?", afirmou, ao questionar os motivos citados pelos EUA para as novas tarifas.
O presidente defendeu a soberania nacional como elemento central da estratégia de desenvolvimento do país e ressaltou a necessidade de fortalecer políticas públicas capazes de ampliar a capacidade produtiva brasileira, reduzir desigualdades e consolidar a presença do Brasil nos principais fóruns internacionais.
Outro ponto relatado por Lula foi o futuro lançamento do programa "Telefone Seguro", iniciativa voltada ao combate ao furto e roubo de celulares.
Segundo o presidente, a medida busca ampliar os mecanismos de proteção aos usuários e dificultar a utilização de aparelhos subtraídos, com ferramentas digitais para bloqueio e rastreamento de dispositivos.
Lula afirmou ainda que a iniciativa integra um conjunto de ações externas à proteção dos cidadãos e ao enfrentamento de crimes patrimoniais, além de contribuir para reduzir os prejuízos causados pelo mercado ilegal de celulares.