CRÍTICAS

Vítima de abuso critica encontro de Papa com Bad Bunny e cobra 'coerência'

Miguel Hurtado disse que reunião com pontífice foi negada por 'problemas na agenda'

Por Redação ANSA Publicado em 10/06/2026 às 15:29
Bad Bunny visitou o papa em Madri © ANSA/EPA

Um ativista e vítima de abuso sexual criticou publicamente a visita do papa Leão XIV ao mosteiro de Abadia de Montserrat, na Espanha, nesta quarta-feira (10), afirmando haver falta de coerência entre o discurso do pontífice e suas ações em relação às vítimas de violência sexual na Igreja.

Fundador do movimento "Reparação Integral Já", Miguel Hurtado também atacou Robert Prevost por ter participado de uma audiência privada com o artista Bad Bunny em Madri e não ter recebido vítimas de abuso que estavam presentes no mosteiro.

Segundo Hurtado, o encontro teria sido negado por "problemas de agenda", o que, para ele, levanta questionamentos sobre as prioridades do Vaticano.

"Eu realmente não entendo o sistema de prioridades deste pontífice", disse Hurtado à ANSA, acrescentando que o episódio "aprofundou a crise de credibilidade" do pontificado na "luta contra o flagelo da pedofilia na Igreja".

Hurtado afirmou ainda que esteve presente na Abadia de Montserrat, mas não foi incluído em encontros com o Papa. Ele disse que o pontífice falhou em dar atenção às vítimas no "epicentro da pedofilia clerical catalã", acusação que remete a casos históricos ocorridos no mosteiro.

De acordo com o ativista, ele foi abusado aos 16 anos por um monge beneditino já falecido, identificado como Andreu Soler, que teria liderado atividades de escotismo na instituição e chegou a ser considerado "um predador sexual" por uma comissão criada em 2019..

Hurtado também afirma que os abusos envolvendo religiosos teriam sido encobertos por décadas, alegação que já foi objeto de investigações internas e denúncias feitas por vítimas.

O ativista pediu que o Papa seja "coerente" com suas declarações anteriores sobre o combate ao abuso sexual na Igreja e defendeu um compromisso mais direto com as vítimas pois é preciso curar "uma ferida que ainda está aberta".