Durigan defende soberania nacional e proteção ao Pix em reunião do Conselhão
Ministro da Fazenda citou barreiras comerciais dos Estados Unidos e afirmou que o sistema de pagamentos seguirá sob governança do Estado brasileiro
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou, nesta quarta-feira (10), a defesa da soberania nacional e da política econômica brasileira.
"O Brasil não abaixa a cabeça para ninguém, e a gente defende a nossa política econômica pelo mundo", afirmou.
A declaração ocorre no contexto dos recentes anúncios feitos pelos Estados Unidos de barreiras comerciais e aumento de tarifas sobre insumos e produtos manufaturados que afetam diretamente as exportações brasileiras.
Nesse cenário, Durigan também defendeu o Pix, sistema apontado no texto como referência global de bancarização e inovação tecnológica. Segundo ele, o mecanismo é um patrimônio estratégico que continuará sob governança do Estado brasileiro contra interferências globais.
"A primeira demanda, a primeira tarefa que eu tenho é proteger a soberania ao lado do presidente Lula, em especial no nosso Pix", disse.
As falas foram feitas durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio do Itamaraty. Neste ano, o tema dos debates do chamado Conselhão é “Da soberania nacional ao protagonismo global”.
Respeito
Ao relatar agendas recentes no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial, no G20 e no G7, o ministro da Fazenda afirmou que a comunidade internacional reconhece a liderança brasileira nas discussões econômicas, ambientais e de transição energética. Para Durigan, o país deve ser tratado com igualdade e respeito.
“O Brasil é liderança mundial e a gente não abre mão de ser tratado com respeito e tratar com respeito a todos os países, a todas as outras comunidades e culturas do mundo”, declarou.
Agenda social
Durigan também abordou temas sociais e de segurança pública. Sobre a escala 6x1, ele afirmou que a manutenção desse modelo perpetua desigualdades e sobrecarrega trabalhadores de menor remuneração, negros e mulheres com dupla jornada. Segundo o ministro, setores com escalas mais flexíveis, como 5x2, concentram melhores salários e oportunidades de estudo.
“Quem já está na escala 5 por 2 é quem ganha mais, teve tempo e muitas vezes oportunidade familiar de estudar por mais tempo. E quem está na escala 6 por 1 são os trabalhadores mais mal remunerados, trabalhadores negros, mulheres e que ainda acumulam o trabalho com afazeres domésticos e outras responsabilidades, que ficam sobrecarregados.”
No fim de maio, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. A PEC terá o cronograma de tramitação definido nesta semana no Senado. A proposta prevê a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.
Cerco às bets
O ministro comparou o tratamento dado às casas de apostas online em governos anteriores ao modelo adotado no governo Lula. Segundo ele, antes, elas “tinham a mesma imunidade que as igrejas”.
“Hoje, as bets pagam mais do que a média dos setores empresariais e, hoje, passam os dados e estão sendo fiscalizadas”, afirmou.
Durigan disse ainda que esse trabalho já resultou na derrubada de mais de 30 mil empresas irregulares e na proibição do uso do mercado de cartões de crédito para apostas, com o objetivo de proteger o orçamento familiar.
Asfixia ao crime organizado
O ministro anunciou uma cooperação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com o governo norte-americano para combater o fluxo financeiro de facções criminosas.
A estratégia, operada por meio da Receita Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Polícia Federal, será congelar os ativos do crime organizado. “O combate ao fluxo financeiro do crime organizado, eu acredito, é o mais importante para gente asfixiar esse mal que segue causando graves prejuízos à nossa comunidade”, concluiu.
Crescimento industrial
Durante discurso aos conselheiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou um balanço sobre a reindustrialização do país.
O ministro citou resultados que, segundo ele, têm reaquecido a economia brasileira, como o aumento do salário médio e a menor taxa de informalidade da série histórica. Ele também mencionou a queda do desemprego, com taxa de 5,6%, consolidando-se na média histórica mais baixa; o recorde de 103 milhões de brasileiros empregados formalmente; e o maior rendimento médio, entre R$ 3.370 e R$ 3.732.
"Esses indicadores sociais só são obtidos porque a indústria voltou a crescer. Cresceu em 2024 com a lançamento da Nova Indústria Brasil, 3,1%. No primeiro quadrimestre, já avançou 1,7%. Por isso, tivemos mais de 7,6 milhões de postos formais no setor", destacou Elias Rosa.