DIW reduz previsão de crescimento da Alemanha e aponta impacto da energia
Instituto alemão prevê alta da inflação, recessão técnica em 2026 e expansão menor também para a economia mundial
O Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW Berlin) cortou pela metade a projeção de crescimento da Alemanha em 2026, de 1% para 0,5%. Para 2027, a estimativa passou de 1,3% para 0,8%.
A revisão foi atribuída ao impacto do choque nos preços de energia após o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.
De acordo com o instituto, a alta do petróleo e do gás pressionou a inflação, reduziu o poder de compra das famílias e ampliou a incerteza econômica. Nesse cenário, a economia alemã deve ter leve contração no segundo e no terceiro trimestre deste ano, configurando uma recessão técnica antes de voltar a se estabilizar no fim de 2026.
O DIW estima inflação de 2,9% neste ano e de 3,0% em 2027, acima da meta oficial de 2% do Banco Central Europeu (BCE). A taxa de desemprego deve subir de 6,3% em 2025 para 6,4% em 2026, com recuo para 6,2% no ano seguinte.
A chefe de previsões do instituto, Geraldine Dany-Knedlik, afirmou que o choque energético atual é menos intenso do que o registrado em 2022 e 2023, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
“O choque é menor, o abastecimento de energia continua garantido e a Alemanha hoje depende menos de importações de combustíveis fósseis”, disse. Ainda assim, ela avaliou que o crescimento previsto para este ano depende essencialmente do impulso fiscal do governo.
O instituto informou que o aumento dos gastos com defesa e os recursos voltados à infraestrutura e à neutralidade climática devem ajudar a sustentar a atividade econômica. Apesar disso, essas medidas não devem compensar integralmente o efeito negativo da alta da energia.
Segundo o DIW, o déficit público deve chegar a 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e a 4,3% em 2027.
No cenário global, o instituto também reduziu a previsão de crescimento mundial para 2026, de 3,3% para 3,1%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 3,3%.
O DIW avalia que a guerra no Irã voltou a pressionar a inflação por meio do encarecimento da energia. Mesmo assim, o instituto prevê que a economia global seguirá crescendo em ritmo moderado, com apoio de estímulos fiscais e de investimentos em inteligência artificial (IA).