SEGURANÇA PÚBLICA

Operação mira 56 investigados por ligação com o TCP no Complexo da Maré

Ação das polícias Civil e Militar do Rio já prendeu 15 pessoas e apreendeu três fuzis nesta quarta-feira

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 11:06
Polícia faz operação na Maré para cumprir mais de 50 mandados contra o TCP Nano Banana (Google Imagen)

As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira, 10, uma operação para tentar prender 56 pessoas apontadas como ligadas ao tráfico de drogas no Complexo da Maré, na zona norte da capital fluminense. Moradores das comunidades alvo da ação relataram tiroteios durante parte da manhã. Até o momento, 15 pessoas foram presas e três fuzis apreendidos.

Batizada de Operação Trinus, a ação é considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra a facção Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo investigações da 21ª DP (Bonsucesso), a partir da análise de dados, diligências de campo, provas documentais e depoimentos, foi identificado um esquema criminoso que associava tráfico de drogas, roubo de cargas, controle de serviços essenciais e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Civil, os agentes identificaram “uma complexa estrutura criminosa que explorava seis frentes de modalidades criminosas para financiar, fortalecer e expandir o domínio territorial da facção em comunidades da região”.

A principal frente da investigação apontou um esquema estruturado de roubos de carga e lavagem de capitais. As apurações indicam que criminosos ligados ao TCP eram responsáveis por “ataques sistemáticos” a caminhões e cargas que passavam pela Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, três das principais vias expressas do Rio de Janeiro.

Paralelamente, conforme a investigação, a facção exercia controle sobre serviços essenciais dentro das comunidades, como venda de gás, fornecimento de água e acesso à internet.

Segundo a Polícia Civil, a facção também utilizava baile funk na Vila do João, no Complexo da Maré, para “circulação de dinheiro, venda de produtos, fortalecimento da imagem das lideranças e escoamento dos produtos roubados”.

Roubos de celulares tinham metas, aponta investigação

Os agentes da 21ª DP também apuraram roubos e receptação de celulares. De acordo com a Polícia Civil, os assaltos não eram ações isoladas, mas parte de uma estrutura organizada pela facção. Os criminosos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos roubos, com uso de armas, motos e metas de arrecadação, exigindo um número determinado de aparelhos desbloqueados por roubo.

As vítimas eram abordadas e coagidas por criminosos armados. A precificação era definida pela própria facção: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2,5 mil, enquanto celulares bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.

A análise de encomendas, movimentações financeiras e registros de entrega permitiu aos agentes mapear a cadeia criminosa. Segundo a investigação, ela envolvia lideranças que impunham regras sob pena de morte, integrantes com função de vigilância, executores dos roubos em vias públicas e receptadores responsáveis pela revenda dos produtos ilícitos.

Pornografia infantil

Os policiais também identificaram uma frente relacionada à pornografia infantil. A investigação começou a partir de denúncias que apontavam a participação de investigados em grupos digitais voltados à divulgação e troca de material de abuso sexual infantil.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para trocar arquivos com pornografia infantil, incluindo vídeos com crianças e bebês em situações de abuso sexual explícito. O material identificado envolve vítimas desde bebês com menos de um ano até adolescentes.

“A ação representa o retrato atual das facções criminosas que utilizam diferentes atividades ilícitas para ampliar seu poder econômico e territorial. Com a ação desta quarta, as equipes buscam enfraquecer toda a estrutura que sustenta financeiramente a organização criminosa”, afirmou a Polícia Civil.

A ofensiva mobiliza equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), além de policiais militares do Comando de Operação Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque.