Setor da construção tinha 2,5 milhões de ocupados no Brasil em 2024
Pesquisa do IBGE aponta remuneração média de 2,1 salários mínimos e 191 mil empresas em atividade no país
A indústria da construção civil no Brasil empregava 2,5 milhões de pessoas em 2024 e pagava remuneração média de 2,1 salários mínimos. Ao todo, 191 mil empresas do setor movimentaram R$ 95,6 bilhões em pagamentos aos trabalhadores.
Os dados integram a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Notícias relacionadas: Desemprego entre mulheres negras jovens chega a 24,7%, aponta estudo; Desemprego chega a 5,8% no trimestre encerrado em abril, diz IBGE; Brasil fecha 2025 com aumento de 5% no estoque de empregos.
O levantamento reúne informações de empresas de três grandes grupos de atividade: construção de edifícios, que inclui imóveis residenciais, comerciais, industriais e reformas; obras de infraestrutura, como pontes, rodovias e praças; e serviços especializados para construção, a exemplo de pintura e instalação elétrica.
A edição de 2024 incorporou mudanças de metodologia. Por isso, o IBGE não faz comparações com anos anteriores. A série histórica anterior tinha início em 2007.
Onde estão os empregos
As empresas classificadas no grupo de construção de edifícios concentram o maior número de trabalhadores. Nesses empreendimentos estavam 894,8 mil pessoas, o equivalente a 35,7% dos ocupados no setor.
Na sequência aparecem as empresas de serviços especializados, com 34,4% da mão de obra. As obras de infraestrutura reuniam 29,9% dos trabalhadores da construção em 2024.
Embora tenham o menor número total de ocupados, as empresas de obras de infraestrutura registram a maior média de empregados por empresa: 39 pessoas.
Nas empresas voltadas à construção de edifícios, a média é de 13 trabalhadores. Nos serviços especializados, o contingente médio é de oito funcionários.
Salários
As companhias que atuam em obras de infraestrutura pagam as maiores remunerações, com média de 2,6 salários mínimos.
As empresas de construção de edifícios pagaram, em média, 1,9 salário mínimo, acima das empresas de serviços especializados, com 1,8 salário mínimo. Em 2024, o salário mínimo nacional era de R$ 1.412.
Valor de obra
Segundo o IBGE, o valor total de incorporações, obras e serviços da construção chegou a R$ 522,5 bilhões em 2024.
Confira o valor de obra por segmento:
Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões;
Construção de edifícios: R$ 1989 bilhões;
Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões.
Com base nesses dados, a pesquisa calculou o RC8, indicador que mede o grau de concentração do mercado entre as oito maiores empresas do setor. O índice ficou em 3,1%, patamar que indica uma indústria pouco concentrada, sem monopólios.
Obras entregues
A pesquisa também mostra os principais empreendimentos entregues no país pela construção civil, considerando o valor de obra. Veja o ranking:
Rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais: 22,8%;
Obras residenciais: 22,2%;
Serviços especializados para construção: 19,2%;
Obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos: 12,8%;
Edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais: 10,7%;
Construção de outras obras de infraestrutura: 10,5%;
Incorporação de imóveis construídos por outras empresas: 1,9%.
Custos
Sob a ótica dos custos, a mão de obra é o item de maior peso no orçamento das empresas, com 30,7% do total.
Em seguida aparece o chamado consumo intermediário, que reúne despesas operacionais como combustíveis, manutenção, aluguéis de máquinas e serviços prestados por terceiros, excetuando materiais e empreiteiras. Esse grupo respondeu por 22,5% dos custos.
Os demais custos foram materiais de construção, com 22,3%; demais despesas, compostas por impostos, taxas, custos com terrenos, depreciação e gastos financeiros, com 14,7%; e obras e serviços contratados a terceiros, com 9,7%.
Contratantes de obras
De acordo com o IBGE, de cada R$ 3 em valor de obra em 2024, R$ 1 foi demandado pelo setor público, o equivalente a 33%. A iniciativa privada respondeu por 67%.
Nas obras de infraestrutura, o setor público representou 48,2% da demanda por construção. Na atividade de construção de edifícios, a participação dos governos como contratante caiu para 22,9%. Em serviços especializados, foi de 19,5%.
Para o analista do IBGE Marcelo Miranda Freire de Melo, os dados mostram a relevância do setor público para a construção civil no país.
“Essa demanda está muito concentrada no segmento de obras de infraestrutura, onde quase metade da demanda é feita pelo setor público. Nos outros dois segmentos, essa relevância do setor público é um pouco menor, a grande parte é o setor privado”, avalia.