OPERAÇÃO FUNDO OCULTO

PF mira grupos suspeitos de financiar campanhas eleitorais no Maranhão

Investigação apura desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e repasses ilícitos nas eleições municipais de 2024

Publicado em 10/06/2026 às 08:57
PF investiga financiamento ilícito de campanhas no Maranhão

Duas organizações criminosas suspeitas de atuar no desvio de recursos públicos e no financiamento ilícito de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, no Maranhão, são alvo da Operação Fundo Oculto, deflagrada nesta quarta-feira (10) pela Polícia Federal (PF).

De acordo com a investigação, o esquema envolvia empresas que mantinham contratos com prefeituras maranhenses. Os recursos públicos eram desviados a partir de valores depositados nas contas bancárias dessas empresas. Segundo a PF, “os dois grupos operavam com o auxílio de um funcionário de um banco em São Luís”.

As apurações identificaram movimentações financeiras com picos nas semanas imediatamente anteriores ao pleito. Conforme a Polícia Federal, “as movimentações atípicas totalizaram quase R$ 10 milhões”.

“Apenas em um dos núcleos investigados, os valores movimentados para repasses ilícitos somaram aproximadamente R$ 2 milhões”.

Lavagem de dinheiro

Segundo as investigações, o esquema também utilizava laranjas para lavar o dinheiro. “Os recursos eram sacados das contas das empresas e depositados em contas de laranjas”.

“Foram identificadas planilhas informais de caixa dois e arquivos que tratavam explicitamente da logística de entrega de valores e do monitoramento da presença policial nas imediações do banco”, informou a PF.

Beneficiados

Até o momento, as investigações identificaram 15 candidatos beneficiados pelo esquema criminoso ou destinatários de repasses ilícitos. “Os repasses eram pulverizados entre servidores”.

A operação foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

A medida judicial também determinou o afastamento de um funcionário público e o sequestro de bens no valor de R$ 4 milhões.

“Os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos e outros crimes contra a administração pública”, informou a PF.