JORNADA DE TRABALHO

Alcolumbre evita definir prazo para PEC 6x1 sob pressão do governo

Proposta aprovada na Câmara aguarda despacho no Senado para iniciar tramitação na CCJ; articulação envolve governo, líderes partidários e oposição

Publicado em 10/06/2026 às 07:13
Legenda não informada no material original. © Marcelo Camargo/Agência Brasil / Acessar o banco de imagens

Lideranças do Senado e do governo discutem a tramitação da PEC que reduz a jornada semanal e proíbe a escala 6x1, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), evita definir um calendário para a proposta.

O presidente do Senado se reuniu com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo Lula, mas não assumiu compromisso sobre o andamento da Proposta de Emenda à Constituição. O texto, aprovado pela Câmara em maio, depende de despacho de Alcolumbre para começar a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Nos bastidores, segundo um jornal de grande circulação no país, o senador tem reclamado da pressão nas redes sociais para acelerar a análise da PEC. Ele atribui os ataques a uma articulação do governo e de partidos de esquerda.

Alcolumbre havia anunciado que trataria do tema com líderes partidários nesta semana, mas sinalizou a aliados que recuou da ideia. Ele também cancelou uma reunião com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD), que discutiria a escolha do relator.

Apesar disso, o presidente do Senado afirmou a senadores que pretende resolver pendências nesta quarta-feira (10). Entre aliados, a avaliação é que o ritmo da proposta dependerá da CCJ, que pode acelerar o debate para permitir votação em julho, antes do início oficial da campanha eleitoral.

O governo busca aprovar a PEC em prazo mais curto porque a redução da jornada para 42 horas e a garantia de dois dias de folga remunerada passam a valer 60 dias após a promulgação. A intenção é que as medidas estejam em vigor antes da eleição, fortalecendo a agenda social do presidente Lula.

Na tribuna, Alcolumbre criticou a pressão pela votação de projetos de grande impacto às vésperas do pleito. Ele citou propostas de criação de pisos salariais para categorias como médicos e enfermeiros, afirmou ser acusado injustamente de travar pautas e alertou para o risco fiscal de aprovar medidas populares em ano eleitoral.

A manifestação ocorreu após encontro com Guimarães e ministros da área econômica, que alertaram para o impacto de novos pisos e da PEC que vincula gastos sociais a receitas da União.

O governo também pediu que o senador destravasse a PEC da Segurança Pública e colocasse em votação o marco legal dos minerais críticos, ambos parados no Senado, afirmou a mídia.

Ainda segundo a apuração, Guimarães avaliou a reunião como positiva, embora Alcolumbre não tenha definido calendário nem relator para a PEC 6x1. Não há previsão de encontro com Lula para tentar recompor a relação, desgastada desde a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), atribuída à articulação do senador.

Enquanto o governo pressiona pela votação, a oposição tenta impedir o avanço da PEC 6x1. O grupo defende uma proposta alternativa apresentada por Alcolumbre, que autoriza pagamento por hora trabalhada e tem apoio de entidades empresariais e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal opositor de Lula na disputa pela Presidência.

Por Sputinik Brasil