MP-SC denuncia mulher por fingir ser criança para obter ajuda de casal
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, é acusada de criar personagem fictícia em Joinville; defesa pediu avaliação de insanidade mental
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) denunciou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Segundo o órgão, ela se passava por uma criança de 12 anos para enganar um casal em Joinville.
De acordo com o MP, Amanda teria criado uma personagem falsa e simulado situações de vulnerabilidade para conseguir vantagens materiais, como moradia, alimentação, transporte e medicamentos, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026. A denúncia foi recebida pela Justiça na tarde desta terça-feira, 9. A defesa pediu a realização de uma avaliação de insanidade mental.
Na denúncia, o Ministério Público afirma que a acusada teria adotado a identidade fictícia de “Gabriele Ferreira dos Santos”, apresentando-se como criança. Com isso, ela teria sido acolhida pelas vítimas, que passaram a custear integralmente sua subsistência, incluindo uma comemoração de aniversário e medicamentos de alto custo para emagrecimento.
O MP sustenta que Amanda teria usado uma narrativa envolvendo abusos e situações graves, como supostos maus-tratos por parte de familiares e exploração, com o objetivo de sensibilizar as vítimas.
“Para dar credibilidade à história, ela teria adotado comportamentos compatíveis com a identidade fictícia, como fala infantilizada, uso de objetos típicos da infância e simulação de crises emocionais”, informou o MP de Santa Catarina.
A promotora de Justiça Viviane Soares, responsável pelo caso, afirmou que “os elementos colhidos indicam um esquema elaborado de fraude, com a criação de uma identidade fictícia e a manipulação emocional das vítimas para obtenção de vantagens indevidas, o que demanda a devida responsabilização criminal”.
Incidente de insanidade mental
Uma decisão judicial determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar a condição psicológica de Amanda, que foi presa em flagrante. A medida atende a pedido da defesa e prevê a realização de exame médico para verificar a capacidade da investigada de responder pelos próprios atos.
Caso seja constatado que a ré não tinha plena capacidade de entendimento ou autodeterminação na época dos fatos, o resultado poderá influenciar diretamente os rumos da ação penal, incluindo eventual aplicação de medida de segurança em vez de pena privativa de liberdade. Enquanto o exame e o laudo são aguardados, o processo ficará suspenso.