Em Moscou, I Fórum do BRICS para Tecnologias Quânticas desafia o monopólio ocidental (VÍDEOS)
Durante o evento no museu Atom no Parque VDNKh, nesta segunda-feira (8) foi apresentada a Plataforma de Energia Nuclear do BRICS, que visa acelerar a integração da computação quântica no setor de energia atômica, tendo como objetivo utilizar supercomputadores quânticos a fim de otimizar processos e aumentar a segurança e eficiência energética.
A reportagem da Sputnik Brasil esteve presente no simpósio que contou diversas autoridades e especialistas no tema e também teve acesso a declaração, apresentada na primeira parte do colóquio, com declarações de Elzie Pule, coordenadora-geral da Plataforma de Energia Nuclear dos países do BRICS, no comunicado Pule enfatiza que a tecnologia quântica tende a ser um dos principais vetores para a transformação econômica e social.
"Reconhecemos o potencial significativo da computação quântica no campo do átomo pacífico para resolver uma ampla gama de tarefas de modelagem e análise de engenharia, otimização de processos de produção e logística, bem como o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias no interesse de aumentar ainda mais a eficiência, a segurança e a confiabilidade da energia nuclear como um todo", disse Pule, no documento.
No comunicado oficial, Pule, ainda reforçou que a proposta tem como característica primordial a descentralização a fim de democratizar a cooperação mútua e a troca de conhecimento entre os países parceiros.
"Nossa missão consiste em garantir o uso de tecnologias nucleares avançadas para melhorar a qualidade de vida humana. A experiência do uso inicial da computação quântica na indústria nuclear russa mostra que esta tecnologia pode tornar a energia nuclear mais eficiente e confiável. O conhecimento deve ser estar acessível a todos os participantes da Plataforma de Energia Nuclear dos países do BRICS", complementa.
Brasil no âmbito da computação quântica
Já segunda parte do fórum se discutiu sobre a computação quântica e sua aplicabilidade no contexto de cada país participante, o representante brasileiro foi Fábio Borges, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), conversou com a reportagem sobre sua participação.
"Na minha apresentação, falei sobre as universidades brasileiras com pesquisa de ponta entre o mundo quântico e o mundo clássico, o que estamos estudando ainda, também falei do trabalho do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) que tem desenvolvido computadores quânticos entre outros instrumentos como a criptografia quântica que é diferente a que utilizamos hoje. Foi uma ótima oportunidade para compartilharmos experiência entre os países", destaca.
O diretor do LNCC, que também participou da Reunião do Grupo de Trabalho do BRICS em Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial, realizada em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, no ano passado. O evento ocorreu sob a presidência pro tempore do Brasil. E agora, na capital russa, Borges destacou um projeto a partir computação quântica, que ainda está em discussão, e que pode ser uma ferramenta necessária para dirimir os impactos das mudanças climáticas.
"Aqui, na Rússia, eu vou encontrar um professor onde vamos discutir o Digital Earth [Terra Digital, na tradução livre], estamos trabalhando há algum tempo nesse grupo de supercomputação e inteligência artificial, a ideia é modelar a [nível global] para observarmos as dinâmicas do clima", observa.
Supercomputador quântico é o 'ás' da alta tecnologia
Um supercomputador quântico pode ser considerado um trunfo da tecnologia porque não depende da lógica dos computadores comuns, que processam uma informação por vez, porque tem a capacidade de calcular bilhões de possibilidades ao mesmo tempo. Essa velocidade inédita redefine o futuro geopolítico por ser o único motor capaz de processar dados em diversos setores, entre os quais ciência e economia.
Nesse sentido, o ministro da CIência e do Ensino Superior da Federação da Rússia, Valery Falkonov, que participou da plenária 'A trilha quântica do BRICS: forjando o caminho juntos' reforçou a importância da cooperação internacional para um desenvolvimento em conjunto.
"Qualquer cooperação é uma questão extremamente complexa. Viver sozinho é sempre mais fácil. A cooperação exige esforços. A cooperação exige certos gestos de aproximação, ajustes, inclusive no que diz respeito à própria política", conclui.
O avanço do BRICS na computação quântica aplicada à energia nuclear, destacado no I Fórum Quântico de Moscou, consolida o grupo com capacidade de ser um polo de inovação independente ao reduzir a dependência tecnológica ocidental. Dessa forma, se tornando uma alternativa, principalmente aos países do Sul Global.
Por Sputinik Brasil