Mergulho recreativo causa danos invisíveis e expõe recifes a impactos crescentes, aponta estudo
Mergulhadores recreativos podem estar causando muito mais danos aos recifes de coral do que percebem, segundo um estudo que analisou vídeos e entrevistas com 732 praticantes na Indonésia e nas Filipinas.
Uma pesquisa recente realizada na Ásia mostrou que mais de 80% dos contatos com o recife são involuntários ou passam despercebidos, contrariando a ideia de que o mergulho é uma atividade de baixo impacto.
Os registros revelam que mergulhadores tocam o recife, em média, uma vez a cada quatro minutos — e cerca de 60% desses toques ocorrem sem que eles tenham consciência. Chutes acidentais, apoios em corais e perturbação da fauna marinha são as formas mais comuns de impacto, mesmo entre mergulhadores experientes.
A discrepância entre percepção e realidade é grande: 75% dos participantes foram considerados acima da média em habilidade e cuidado ambiental, mas tocavam o recife até cinco vezes mais do que estimavam. A presença de animais selvagens aumentava ainda mais o problema, dobrando a taxa de contatos íntimos.
Em recifes muito visitados, onde milhares mergulham diariamente, esse acúmulo de pequenos impactos pode gerar efeitos ecológicos significativos. Ainda assim, cerca de 15% dos mergulhadores nunca tocaram o Recife, o que os especialistas veem como prova de que o problema pode ser mitigado com treinamento adequado e regulamentar.
Pesquisadores defendem agora estudos de longo prazo para medir como essa frequência de toques relacionados à saúde dos recifes ao longo de anos. Uma dúvida central é: o que acontece com um recife tocado uma vez a cada quatro minutos durante uma década.
Apesar dos impactos, abandonar o mergulho não é considerado uma solução. O turismo marinho é vital para a conservação, geração de renda e criação de incentivos econômicos para manter os recifes protegidos e saudáveis.
O objetivo, afirmam os cientistas, é melhorar a forma como as pessoas mergulham — aumentando a consciência situacional, diminuindo o excesso de confiança e promovendo práticas que lhes permitam desfrutar da vida marinha sem prejudicá-la.