JUSTIÇA

Justiça decreta prisão de jornalista perseguido por Zambelli

Publicado em 05/06/2026 às 14:31
© Foto / Reprodução / Redes Sociais

O Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda, em São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, que foi perseguido à mão armada pelas ruas de São Paulo pela ex-deputada federal Carla Zambelli.

Araújo foi condenado a pagar indenização por difamação contra Zambelli, de cerca de R$ 2,2 mil. A difamação refere-se a um texto do jornalista em que ele acusou a ex-deputada de integrar uma seita de doentes e "mercadores da morte" de extrema direita "que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades".

Araújo se manifestou nas redes sociais:

"Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma orientada na justiça por um texto que escrevi, onde a justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma notificações que eu considero injusta."

Ele comentou também a situação do ex-deputado, que teve o pedido de extradição rejeitado pela justiça da Itália, país onde se instalou para fugir de denúncias de prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Apesar da instruções dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por Danos Morais contra ela [...] Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela. Só tenho minha escrita e minha vontade de ver a justiça sendo feita", completou.

Condenada por porte ilegal

Ainda deputada federal pelo PL de São Paulo, Zambelli sacou uma arma e perseguiu o jornalista em 28 de outubro de 2022. Na época, ela publicou um vídeo em suas redes em que afirma ter sido agredido. A deputada disse que correu atrás do homem com uma arma pois ele "evadiu".

Ela afirma ter pedido para ele esperar ela chamar a polícia e "dar flagrante". Zambelli disse que também foi agredida verbalmente e cuspida pelo homem que ela escolheu na arma.

Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em razão do episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Zambelli esteve na Itália desde julho, quando fugiu da prisão para o cumprimento de pena anterior, de dez anos de prisão, por ser mandante de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O Brasil pediu a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas acabou sendo cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.


Por Sputinik Brasil