EUA, Líbano e Israel chegam a acordo de cessar-fogo e desmantelamento do Hezbollah
Os Estados Unidos afirmaram em nota nesta quarta-feira (3) que Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo após a quarta rodada de negociações trilaterais de alto nível mediada por Wasghinton, realizada nos dias 2 e 3 de junho.
O anúncio representa um avanço significativo nas tratativas de paz entre os dois países, que há décadas convivem com tensões. O cessar-fogo, conforme o comunicado, está condicionado à cessação completa dos ataques do Hezbollah e à evacuação de todos os seus operativos do do sul do Líbano, região que tem sido epicentro dos conflitos entre o movimento xiita e as forças israelenses.
Um dos pontos centrais do acordo é a criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas libanesas assumirão o controle exclusivo do território, com a exclusão de todos os grupos não-estatais.
Os dois lados concordaram ainda em avançar rapidamente na elaboração de um arcabouço de segurança, cujas bases foram discutidas em reunião anterior no Pentágono, em 29 de maio, com o objetivo de garantir de forma sustentável a soberania, a segurança e a integridade territorial de ambos os países.
Ambas as partes também rejeitaram, segundo a nota, qualquer tentativa, por parte de Estados ou atores não-estatais, de "manter o futuro do Líbano como refém".
Os Estados Unidos, por sua vez, publicou que apoia a soberania de ambos países e reiterou que o cessar das hostilidades deve ser alcançado diretamente entre os dois governos, com a mediação dos Estados Unidos, não por meio de qualquer via paralela.
Israel reafirmou que sua segurança só poderá ser garantida com o desarmamento completo do Hezbollah e o desmantelamento de sua infraestrutura em todo o território libanês, e defendeu que as negociações sigam sob liderança exclusiva de Washington.
Já o Líbano enfatizou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras reconhecidas internacionalmente e cobrou a implementação integral da cessação das hostilidades, reafirmando os princípios de integridade territorial e soberania plena do Estado. O governo libanês comprometeu-se a ampliar a capacidade operacional de suas forças armadas, com apoio norte-americano, para exercer controle efetivo em todo o país.