MERCADO FINANCEIRO

Com guerra e eleições no radar, bolsa registra terceiro mês de queda e empresas reforçam estratégia de liquidez

Saída de investidores da bolsa e aumento da aversão ao risco elevam preocupação de empresas com acesso a crédito e gestão de caixa

Por Assessoria Publicado em 03/06/2026 às 14:43
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O mercado financeiro brasileiro encerrou maio sob forte pressão. A combinação entre o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, a aproximação do ciclo eleitoral de 2026 e o aumento da aversão ao risco dos investidores levou o Ibovespa a registrar o terceiro mês consecutivo de queda. O movimento, acompanhado pela saída de capital estrangeiro e pela busca global por ativos considerados mais seguros, acendeu um alerta não apenas nos mercados, mas também na economia real.

Embora o impacto imediato seja observado na bolsa de valores, o reflexo tende a atingir diretamente o caixa das empresas. Em períodos de maior volatilidade, instituições financeiras costumam adotar critérios mais rígidos para concessão de crédito, enquanto empresários passam a enfrentar maior dificuldade para financiar operações, investir em expansão e manter previsibilidade financeira.

De acordo com Aury Ronan Francisco, CEO da Bankme, fintech especializada na estruturação de operações financeiras corporativas, momentos de instabilidade como o atual evidenciam um problema recorrente entre empresas de médio porte: a dependência excessiva das linhas tradicionais de crédito.

"O erro de muitas organizações é tratar o crédito como uma solução emergencial, acionada apenas quando a necessidade de caixa já se tornou crítica. Em cenários de incerteza, os bancos naturalmente aumentam o rigor de concessão e se tornam mais seletivos. O risco não está apenas na volatilidade dos mercados, mas na falta de uma estratégia permanente de liquidez que permita à empresa operar com previsibilidade independentemente do ciclo econômico", avalia o executivo.

Como resposta ao ambiente de maior seletividade bancária, o mercado de crédito privado segue em trajetória de expansão no Brasil. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) caminham para atingir a marca histórica de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, consolidando um movimento de desintermediação financeira que vem ganhando espaço entre médias empresas.

Na prática, esse modelo permite que companhias utilizem seus próprios recebíveis ou acessem investidores qualificados para financiar operações, clientes e fornecedores sem depender exclusivamente das instituições financeiras tradicionais. Além de ampliar o acesso a capital, a estratégia gera maior previsibilidade e fortalece a autonomia financeira dos negócios.

Segundo Thiago Eik, fundador da Bankme, a atual combinação de incertezas geopolíticas e eleitorais tem acelerado a busca por estruturas próprias de crédito. "O empresário brasileiro já entendeu que liquidez não pode ser tratada apenas como uma questão operacional. Em momentos de instabilidade, ter controle sobre as fontes de financiamento passa a ser um diferencial competitivo. Estamos observando empresas antecipando movimentos de estruturação financeira justamente para reduzir a dependência de decisões tomadas pelo sistema bancário em períodos de maior turbulência."

O executivo destaca que setores com alta necessidade de capital de giro, como indústria, distribuição, logística e varejo, estão entre os que mais buscam alternativas para fortalecer a previsibilidade do fluxo de caixa. "As companhias que conseguem estruturar canais próprios de financiamento ou monetizar seus recebíveis de forma estratégica chegam mais preparadas aos períodos de volatilidade. O objetivo não é apenas acessar recursos, mas criar uma camada adicional de proteção financeira para continuar crescendo mesmo em ambientes adversos."

Além da busca por liquidez, a adoção dessas estruturas também responde aos novos desafios regulatórios trazidos pela Reforma Tributária. Plataformas financeiras modernas já vêm sendo desenvolvidas para operar de forma integrada aos mecanismos de split payment, permitindo maior eficiência na gestão fiscal e financeira das empresas.

Com o mercado operando sob a influência simultânea de riscos geopolíticos, incertezas eleitorais e um ambiente de crédito mais seletivo, especialistas avaliam que a gestão estratégica da liquidez deverá ocupar papel central no planejamento corporativo ao longo de 2026, especialmente entre empresas que buscam manter crescimento e competitividade mesmo diante de cenários de maior instabilidade.

Sobre a Bankme

A Bankme é uma fintech que apoia médias empresas na superação dos desafios de crédito e gestão de caixa. Por meio da estruturação de soluções ágeis - viabilizados a partir da criação de securitizadoras, as empresas podem antecipar recebíveis, alongar prazos e rentabilizar capital ocioso com maior autonomia, utilizando recursos dos próprios sócios ou de investidores. Em poucos dias, essas organizações passam a operar com maior eficiência financeira, reduzindo custos e criando novas fontes de receita. Atualmente, a Bankme conta com mais de 200 soluções ativas e possui em seu quadro de investidores a DOMO VC, Apex Partners e Bamboo.