TARIFAS

Após falas de Lula, Flávio Bolsonaro pede a Rubio que Brasil seja poupado de nova rodada de tarifas

Por Sputinik Brasil Publicado em 02/06/2026 às 21:02
© AP Photo / Eraldo Peres

O senador Flávio Bolsonaro enviou nesta terça-feira (2) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o governo norte-americano exclua o Brasil da proposta de novas tarifas comerciais.

No documento, o parlamentar argumenta que o país enfrenta um cenário de dificuldades econômicas e fiscais, citando indicadores como o crescimento da dívida pública, o aumento da inadimplência e os desafios enfrentados pelo setor produtivo.

Segundo Flávio, a adoção de sanções comerciais adicionais poderia ampliar os impactos sobre a economia brasileira e afetar diretamente a população.

Conforme publicado pelo Globo, a campanha de Flávio começa a tentar se afastar do novo tarifaço norte-americano, em especial após o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmar que a família Bolsonaro tem responsabilidade nas articulações que resultaram nas medidas fiscais de Washington contra Brasília.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som: são traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?"

As declarações de Lula e Flávio acontecem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) apresentar, na última segunda-feira (1º), uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, alegando práticas restritivas ao comércio americano. Na semana passada, o senador Flávio esteve em Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump e integrantes de sua equipe.

Conforme publicado pelo comentarista Gerson Camarotti, no portal g1, a equipe de Lula identifica movimentos explícitos de interferência norte-americana nas eleições brasileiras. Entre estas ações estão a visita de Flávio a Trump, a designação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e a nova tarifa de 25%. O principal articulador em Washington seria Rubio.

Também nesta terça-feira, Rubio excluiu o Brasil do que ele chamou de "coalizão de países amigos" nas Américas.

"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão, a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos."

No entanto, o Planalto entende que as ações norte-americanas contra o Brasil podem se voltar contra Flávio, já que haveria um entendimento da população da ligação direta entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e Trump.