Unesp amplia atendimento à fauna silvestre paulista com novas estruturas nos câmpus de Botucatu e Araçatuba
Convênio com governo do estado prevê investimento de R$ 27,4 milhões para custear a ampliação de centros de ensino e pesquisa veterinária da Universidade, fortalecendo o resgate de animais e a formação profissional na área
A Unesp vai ampliar a sua capacidade de atendimento e reabilitação de animais selvagens dos municípios próximos aos câmpus de Botucatu e Araçatuba. Os centros de atendimento vinculados aos cursos de medicina veterinária das duas unidades universitárias estão passando por reformas para ampliação e adequação dos espaços, e passarão a integrar oficialmente a rede estadual de Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras). A medida também vai beneficiar a formação dos estudantes, que continuarão realizando atividades de ensino e projetos de pesquisa nos centros.
Em Botucatu, está sendo reformado o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas). Em Araçatuba, as obras estão sendo realizadas no Centro de Recuperação e Triagem de Animais Silvestres (Ceretas).
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Unesp e a Secretaria do Meio-Ambiente, Logística e Infraestrutura (Semil), que tem como objetivo ampliar a rede que realiza o atendimento à fauna silvestre no estado. Atualmente, essa rede é formada por 30 Cetras, que atuam no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais silvestres vítimas de tráfico, maus-tratos, acidentes ou entrega voluntária. Por serem vinculados à Universidade e serem espaços de formação de profissionais, os centros localizados nos câmpus de Botucatu e Araçatuba serão denominados Cetras-escola.
Para viabilizar a instalação dos dois Cetras-escola, a Semil está investindo R$ 27,4 milhões ao longo dos próximos 60 meses, período de vigência do convênio, que poderá ser prorrogado. A secretaria estadual abriga, entre outros órgãos, o DER (Departamento de Estradas e Rodagens), um ator importante para agilizar o tempo-resposta na reabilitação de animais atropelados nas rodovias paulistas que estão sob gestão direta.
A área de estudo de animais de vida livre sempre esteve presente no currículo dos cursos de medicina veterinária da Unesp, com diferentes abordagens, a depender do câmpus em que estão localizados. Em Araçatuba, o professor Sérgio Diniz Garcia foi um dos responsáveis pela criação, há cerca de 20 anos, de um serviço de atendimento de animais selvagens e de uma disciplina para os alunos de graduação. Em virtude da alta demanda, a iniciativa ganhou corpo e deu origem ao Ceretas, centro que realiza triagem, trata e identifica as espécies de animais silvestres resgatadas ou apreendidas pelos órgãos fiscalizadores.
Em Botucatu, o professor Carlos Roberto Teixeira foi um dos idealizadores do Cempas, no início dos anos 2000. Desde 2024, o centro possui um convênio estabelecido com a Semil para receber e reabilitar espécies de vida livre. A unidade conta ainda com um programa de pós-graduação único no Brasil voltado específicamente para o estudo desses animais. No final de 2025, o Cempas foi contemplado em um programa da Fapesp para o estabelecimento de Centros de Ciência para o Desenvolvimento especializado em animais selvagens.
O câmpus de Jaboticabal, embora não integre o atual convênio estabelecido com a Semil, possui um Serviço de Patologia de Animais Selvagens (Sepas) desde 1994, sob a liderança da professora Karin Werther, além do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (Nupecce), projeto liderado pelo professor José Maurício Barbanti Duarte.