ECONOMIA GLOBAL

Mídia: valorização do ouro redefine reservas globais e reduz peso dos títulos dos EUA

Publicado em 02/06/2026 às 07:29
Ouro supera títulos dos EUA e alcança 27% das reservas internacionais em 2025, impulsionado por tensões globais. © Foto / Domínio público / Michael Sutton

A disparada histórica do ouro e a busca global por alternativas ao dólar levaram o metal a superar os títulos norte-americanos como principal ativo de reserva, alcançando 27% das reservas mundiais em 2025, enquanto bancos centrais ampliam compras e tensões geopolíticas reforçam a corrida por proteção.

Segundo o Banco Central Europeu (BCE), o ouro passou a representar 27% das reservas internacionais no fim de 2025, ante 20% no ano anterior, enquanto os Treasuries (os títulos do Tesouro dos EUA) caíram de 25% para 22%, marcando a disparada histórica do metal como reserva global.

A mudança reflete o esforço de diversos países para reduzir a dependência do dólar, movimento acelerado desde 2022, quando Washington congelou as reservas russas após o início da operação militar especial russa na Ucrânia — fazendo do dólar uma arma de pressão geopolítica.

De acordo com a mídia britânica, a chefe do BCE, Christine Lagarde, afirmou que tensões geopolíticas continuam a impulsionar a demanda por ouro.

Com mais de 36 mil toneladas acumuladas, os bancos centrais se aproximam dos níveis da era Bretton Woods. A valorização do metal, que atingiu mais de US$ 5.500 (R$ 27.720,00) por onça em janeiro, também contribuiu para sua ascensão como ativo dominante. Ainda assim, ativos em dólares seguem liderando, com 42% das reservas globais.

As compras de ouro recuaram levemente para 850 toneladas em 2025, após três anos acima de 1.000 toneladas. China, Polônia, Turquia e Índia foram os maiores compradores desde 2022, enquanto a Tether se destacou como maior compradora individual em 2025, adquirindo mais de 100 toneladas.

A Turquia, que havia acumulado 220 toneladas desde 2022, realizou uma das maiores reduções recentes ao vender ou emprestar 130 toneladas após o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. O BCE também destacou o fortalecimento gradual do papel internacional do euro ao longo da última década.

A emissão de dívida internacional em euros cresceu 30% e atingiu quase € 1 trilhão (cerca de R$ 5,44 trilhões) em 2025, enquanto investidores estrangeiros aplicaram € 850 bilhões (mais de R$ 4,624 trilhões) em ativos da zona do euro, elevando os fluxos de carteira a níveis próximos dos recordes desde a criação da moeda.

O relatório mostra que, embora o dólar ainda lidere o sistema financeiro global, a combinação de tensões geopolíticas, sanções e busca por diversificação está reconfigurando a composição das reservas internacionais, fazendo com que o ouro recupere um protagonismo que não se via há meio século.


Por Sputinik Brasil