JUSTIÇA

Júri do caso Henry chega ao 8º dia e é o mais longo do Rio de Janeiro

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Publicado em 01/06/2026 às 13:59

O julgamento do caso Henry, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, entrou no oitavo dia seguido nesta segunda-feira (1º). Desta forma, a sessão se torna a mais longa do Tribunal do Júri no estado do Rio, superando a deputada federal cassada Flordelis.

Em novembro de 2022, um ex-parlamentar foi condenado a mais de 50 anos de prisão pela morte do ex-marido , o pastor Anderson do Carmo. 

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J airo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, são réus no processo que julga a morte do filho dela, Henry Borel, aos 4 anos, em março de 2021.

À, Jairinho era vereador, eleito no quinto mandato. Ele era padrasto de Henry. Segundo a acusação do Ministério Público, a criança morreu após agressões de Jairinho, e Monique teria sido omitida.

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Perito do IML

Até o começo da tarde desta segunda-feira, prestou depoimento o perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairo. Foi Tauil quem assinou o laudo cadavérico do menino, no Instituto Médico Legal (IML). O perito é o 21º a ser ouvido pelos jurados. 

Ele reafirmou que a morte foi causada por “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”. 

Além do laudo inicial, ele participou de seis complementações, e chegou ao apartamento onde o menino teria sido agredido.  

Tauil sustentou que ao vistoriar o local, não encontrou nenhum móvel que pudesse ter causado uma lesão fatal em Henry. A primeira versão do casal Jairinho e Monique era de que o menino tinha tropeçado e caído da cama.  

Tauil respondeu também sobre questões levantadas pela defesa no laudo cadavérico, entre elas o fato do hospital de origem do corpo estar errado e o menino ter olhos castanhos, em vez de azuis. O perito alegou que foram lapsos.  

Durante o depoimento, foram mostradas imagens do corpo de Henry. Neste momento, Monique Medeiros saiu do plenário. Ela também tinha deixado o ambiente na última sexta-feira (29), quando conversou com outro perito, Luiz Carlos Leal Prestes. Na ocasião, também foram exibidas imagens do corpo.  

Outros 

Desde a última segunda-feira (25), foram ouvidas testemunhas chamadas pelo juízo, pela acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho – que atualmente se posicionaram de forma diferente.  

O pai de Henry, Leniel Borel, atua na assistência da acusação e depôs como testemunha contra o ex-casal. Na visão dele, Monique também é responsável pela morte do menino. 

Duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas afirmaram ao júri que o ex-vereador agrediu os filhos importantes quando eram crianças.

O engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, fez uma descrição afetuosa da irmã e do convívio familiar.

Um dos depoimentos mais esperados foi o da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira. Ela confirmou que avisou a mãe da criança sobre suspeitas de agressões por parte de Jairinho.  Ela afirmou que após a morte, foi orientada por Monique a apagar a troca de mensagens  entre as duas.

Das 27 testemunhas arroladas inicialmente, quatro foram libertadas. Jairinho dispensou o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e a assessora Cristiane Izidoro. O pai dele, Coronel Jairo, político do Rio de Janeiro, foi ouvido.  

Além de Tauil, será ouvido ainda o médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa. 

Réus devem ser ouvidos na terça-feira 

A expectativa dos advogados envolvidos no julgamento é que a parte do depoimento das testemunhas termine ainda nesta segunda-feira, e que a terça-feira (2) seja reservada para os depoimentos dos dois acusados.  

A defesa de Jairinho conseguiu uma decisão liminar para que o ex-vereador fosse ouvido depois de Monique. Para os advogados do ex-parlamentar, essa ordem de depoimento é “indispensável para garantir a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que serão dirigidas em justiça”. 

A defesa de Monique diz que ela está preparada para depor a qualquer momento.   
 
Os advogados devem expor suas defesas na quarta-feira (3), e a sentença é esperada para a passagem de quarta-feira para quinta-feira (4), dia de Corpus Christi, feriado no Rio de Janeiro.  

Conselho de Sentença 

Desde o início do júri, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados (neste julgamento, cinco homens e duas mulheres), acompanha ininterruptamente as sessões. Nos momentos de intervalo, são obrigados a se manter no tribunal, não podem conversar entre si nem com terceiros sobre o caso, assim ficam como afastados de redes sociais e noticiário.  

Durante a noite, eles ficaram sob vigilância. No Tribunal de Justiça do Rio há uma espécie de alojamento para eles. As testemunhas não precisam ficar confinadas no júri, mas a juíza as orientou a não conceder entrevistas. 

O júri é presidido pela magistrada Elizabeth Machado Louro. O destino dos réus é decidido pelo voto sigiloso dos jurados, por maioria simples. Cabe a juíza a dosimetria (tamanho da pena) nos casos em que há reportado.  

Veja as testemunhas já ouvidas pelo júri: 

  • Delegado Edson Damasceno  
  • Delegada Ana Carolina Medeiros  
  • Psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro  
  • Médica Maria Cristina de Souza  
  • Kaylane de Oliveira - filha da ex-namorada do réu  
  • Natasha de Oliveira - ex-namorada do réu  
  • Débora de Oliveira – ex-namorada do réu  
  • Leila Rosângela de Souza Mattos – empregada dos réus  
  • Tereza Cristina dos Santos – cabeleireira  
  • Paloma dos Santos – manicure  
  • Perito Luiz Carlos Leal Prestes  
  • Perito Luiz Airton Saavedra   
  • Leniel Borel  
  • Irmão de Monique – Bryan Medeiros  
  • Colega de trabalho de Monique – Ari Mamed  
  • Funcionária do condomínio onde os réus moravam - Márcia Eduarda Vieira  
  • Babá de Henry - Thayná de Oliveira Ferreira  
  • Coronel Jairo, pai de Jairinho 
  • Atual mulher de Jairinho – Fernanda Abdul Figueiredo  
  • Miriam Santos Rebelo Costa – que teve um relacionamento com Leniel