Mudança de tom no Diálogo de Shangri-La reflete crescente reconhecimento da China, diz mídia
De acordo com a mídia asiática, a 23ª edição do evento, que reuniu ministros e altos funcionários do governo, bem como líderes empresariais e especialistas em segurança, demonstrou uma melhora notável nas relações entre as grandes potências, aumentando as expectativas de maior estabilidade e desenvolvimento em todo o mundo.
Segundo um artigo do Global Times, o tom do fórum, realizado de 29 a 31 de maio em Cingapura, passou a se concentrar mais na estabilidade, alinhando a retórica da China e dos EUA em direção ao desenvolvimento militar sustentável. A publicação enfatiza que essa mudança demonstra o reconhecimento global da sabedoria de governança de Pequim e mostra que a estabilidade estratégica é o caminho fundamental para a gestão das relações entre as superpotências.
Em sua análise, a mídia destaca que os encontros diplomáticos em meados de maio — tanto a cúpula bilateral com os EUA quanto o encontro presidencial entre os líderes chinês Xi Jinping e russo Vladimir Putin — injetaram certeza na geopolítica global. O editorial enfatiza que a China tem mantido com sucesso a cooperação com várias potências mundiais, oferecendo uma resposta responsável ao desejo global por paz. Segundo o jornal, essas ações demonstram a confiança, a serenidade e as características distintivas da diplomacia chinesa em uma nova era que busca salvaguardar a ordem internacional.
A publicação também destaca a relevância das propostas sobre governança global apresentadas pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, à ONU, que foram incorporadas ao debate sobre segurança no Diálogo de Shangri-La.
O jornal argumenta que qualquer mecanismo de segurança regional deve estar alinhado com a Carta da ONU. Dessa forma, o artigo posiciona a China não apenas como guardiã da paz na região da Ásia-Pacífico, mas também como uma participante ativa e reformadora da ordem política e estratégica global.
Um ponto-chave na análise é a omissão da questão de Taiwan no discurso do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, no fórum. O editorial argumenta que esse silêncio expôs as autoridades independentistas na ilha, enviando uma mensagem clara às forças externas que tentam explorar as tensões regionais.
O jornal acredita que o respeito ao princípio de Uma Só China é uma salvaguarda indispensável para a paz regional e, portanto, saúda o fortalecimento da comunicação entre Pequim e Washington para gerenciar eficazmente as disputas.
Por outro lado, a mídia critica veementemente as políticas do Japão, acusando-o de aumentar seus gastos com defesa, desenvolver capacidades militares ofensivas e se afastar de sua Constituição pacifista do pós-guerra. A publicação defende a posição da delegação chinesa no fórum, que rejeitou a tentativa de Tóquio de buscar apoio internacional para sua expansão militar.
Segundo o jornal, o alerta sobre o ressurgimento do pensamento militarista japonês é uma postura compartilhada pela comunidade asiática e representa um esforço concreto da China para defender a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
O editorial conclui observando que o Diálogo de Shangri-La está deixando de ser um fórum dominado pela perspectiva ocidental e se tornando um espaço onde as economias emergentes da Ásia-Pacífico estão ganhando influência. Nesse sentido, a publicação argumenta que, diante da erosão das políticas do bloco ocidental, a China se projeta como um ator pragmático e confiável que injeta estabilidade no mundo por meio do respeito ao direito internacional. Segundo o jornal, o fórum demonstrou que a paz na região depende do compromisso de todas as partes com as normas internacionais e com um sistema de governança global mais justo.
Por Sputinik Brasil