Claudia Sheinbaum aponta para EUA como possíveis responsáveis por interferência no México
Na véspera do segundo aniversário de sua vitória eleitoral, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, discursou para milhares de mexicanos reunidos no Monumento à Revolução, destacando suas principais conquistas e as pressões que a nação latino-americana vem sofrendo por parte dos Estados Unidos.
Diante de uma praça lotada e uma multidão que se estendia pelas ruas ao redor do monumento, a presidente chegou pontualmente para apresentar seu balanço dos dois anos desde sua vitória eleitoral, na qual mais de 35 milhões de mexicanos a elegeram como a primeira mulher presidente da história do país.
Cercada por membros de seu gabinete, Sheinbaum começou falando sobre o dia 2 de junho de 2014, quando, segundo ela, os mexicanos optaram pela continuidade da Quarta Transformação, iniciada pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.
A presidente enfatizou que seu governo tem se conduzido com honestidade e austeridade, o que, segundo ela, contrasta fortemente com os mandatos anteriores de seis anos, que não só foram repletos de luxos beirando a extravagância, como também comprometeram a independência e a soberania do país.
"Não podemos nos esquecer de que houve 36 anos de governos neoliberais que entregaram a riqueza do povo e da nação a uma minoria privilegiada. A política econômica era ditada do exterior. Além disso, permitiram que o governo dos Estados Unidos interferisse em uma parcela significativa das decisões da vida pública mexicana [...]. Com [Felipe] Calderón, a guerra contra as drogas foi planejada do exterior, e as agências americanas tiveram carta branca; planejaram e operaram em solo mexicano", afirmou. "Os tempos mudaram. No México, o povo governa."
De acordo com o estudo mais recente da empresa de pesquisas Enkoll, o índice de aprovação de Sheinbaum entre a população mexicana é de 68%, enquanto 62% indicaram ter muita ou alguma confiança na maneira como a presidente está lidando com o relacionamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No entanto, no mesmo estudo, a empresa indica que 66% dos participantes acreditam que as acusações contra o ex-governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, apontado por ligações com o narcotráfico, são críveis, e apenas 36% acham que se trata de interferência estrangeira.
Os EUA, o principal eleitorado do México?
Durante seu discurso, Sheinbaum dedicou vários minutos a discutir a relação tensa do México com os EUA, especificamente em relação à segurança. O governo Trump levantou repetidamente a possibilidade de enviar tropas ao México, argumentando em Washington que isso é necessário para conter o narcotráfico.
A esse respeito, a presidente afirmou que os EUA têm buscado interferir na nação latino-americana e declarou ser "legítimo" questionar os verdadeiros interesses de Washington no combate ao narcotráfico em solo mexicano. Sem abordar diretamente o caso do governador de Sinaloa, a chefe de governo mexicana questionou os motivos subjacentes aos pedidos de extradição feitos pelos EUA contra autoridades eleitas no México.
"Primeiro, sejamos claros: vêm atrás de alguns, depois de outros, até que os escritórios do Departamento de Justiça (dos EUA) se tornem a principal força política no México. Não podemos permitir isso", afirmou.
Sheinbaum indicou que os verdadeiros interesses de Washington e de certos setores dos EUA, que usam retórica anti-mexicana para obter vantagem eleitoral ou possivelmente influenciar as eleições do próximo ano no país latino-americano, devem ser questionados.
"Estas não são perguntas retóricas. O México não é saco de pancadas de ninguém!", declarou a presidente em meio a aplausos dos presentes, que repetidamente gritavam "Você não está sozinha!".
A presidente afirmou que os mexicanos podem ter diferenças, "mas há algo em que todos devemos concordar: no México, nós, mexicanos, decidimos!"
"Por minha parte, saibam que sempre dedicarei minha alma, meu conhecimento, meu esforço, minhas convicções republicanas e democráticas e meu amor pelo povo e pelo país para continuar construindo sobre as conquistas que alcançamos e defendendo a soberania nacional", concluiu.
Por Sputinik Brasil