Empresários esperam que EUA apliquem novas tarifas contra o Brasil nesta semana
Empresários estão na expectativa de um possível anúncio do governo dos Estados Unidos de novas tarifas contra o Brasil no início desta semana. Se confirmada, a medida virá na esteira da classificação do governo norte-americano do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
À reportagem, uma fonte do setor empresarial afirmou, na condição de anonimato, que os produtos que receberão esse novo tarifaço, dentro da seção 301, estariam sendo definidos nesse fim de semana.
A definição, segundo ele, será política e não econômica, visto que os Estados Unidos continuam sendo superavitários na balança comercial com o Brasil.
Outra fonte com trânsito na relação Brasil-Estados Unidos ouvida pela reportagem afirmou estar na expectativa por tarifas comerciais já nesta segunda-feira.
Ele espera que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) imponha "tarifas altas, desencadeando um período de 30 dias para comentários públicos.
Se confirmada, a decisão contraria o acordo entre os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e norte-americano, Donald Trump, que estabeleceu um prazo de 30 dias para os dois países chegarem a termos favoráveis aos dois países e, portanto, sem um tarifaço norte-americano. Esse prazo termina no próximo fim de semana.
No dia 7 de maio, Lula e Trump acertaram uma espécie de "prorrogação" nas negociações, depois de uma visita técnica de autoridades diplomáticas brasileiras a Washington, a fim de fazer a última defesa do País na investigação da Seção 301, aberta no ano passado.
Fontes do governo brasileiro disseram não terem sido comunicadas oficialmente de qualquer mudança nas tarifas ou a respeito das investigações da seção 301.
O Executivo afirma, nos bastidores, que monitora a situação, mas que a decisão é 100% de Washington.
A avaliação do governo é que estaria na hora de ter algum balanço das investigações da seção 301. A equipe de política externa brasileira avalia ainda que fez bem o seu trabalho, prestando todos os esclarecimentos ao longo da investigação até agora.
A equipe diz também que o momento pede cautela, sem fazer especulações sobre possíveis decisões dos EUA antes que sejam oficializadas, como novas tarifa, prazos e até mesmo se novos encargos serão anunciados.