Colômbia vai às urnas entre continuidade da esquerda e avanço da direita
Eleição presidencial deste domingo (31) ocorre em meio à violência e pode redefinir o alinhamento internacional do país; Iván Cepeda, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia lideram a disputa.
A Colômbia realiza neste domingo (31) o primeiro turno das eleições presidenciais que definirão o sucessor de Gustavo Petro para o período de 2026 a 2030.
Sem possibilidade de reeleição, o atual presidente deixa o cargo após quatro anos marcados pela tentativa de ampliar políticas sociais e implementar a chamada "paz total", baseada na combinação entre diálogo e repressão contra grupos armados.
Ao todo, 11 candidatos disputam a Presidência, mas três nomes concentram as atenções e aparecem como favoritos nas pesquisas: o senador e filósofo de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro; a senadora conservadora Paloma Valencia, representante do uribismo; e o advogado wmultimilionário Abelardo de la Espriella, figura da ultradireita que se apresenta como outsider político.
O resultado da disputa pode redefinir o posicionamento da Colômbia na América do Sul e sua relação com os Estados Unidos. Até a eleição de Petro, em 2022, o país era considerado um dos principais aliados de Washington na região.
Segundo o pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA/Uerj), Matheus Petrelli, uma vitória de Cepeda indicaria continuidade da aproximação regional promovida por Petro, enquanto Paloma ou Espriella tenderiam a fortalecer novamente os vínculos políticos e estratégicos com os EUA.
Candidatos à presidência da Colômbia
Favorito nas pesquisas para o primeiro turno, Iván Cepeda representa o Pacto Histórico e defende a continuidade do projeto político da esquerda colombiana. Filho do senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, o candidato construiu trajetória própria como defensor dos direitos humanos e ganhou projeção por sua participação em negociações de paz e por denúncias contra o ex-presidente Álvaro Uribe no escândalo dos chamados "falsos positivos" — assassinatos cometidos por forças de segurança e apresentados como mortes de guerrilheiros em combate.
Cepeda sustenta que o conflito armado colombiano não será resolvido apenas pela via militar. Entre suas propostas estão o fortalecimento do diálogo com grupos armados, reformas sociais e agrárias e a ampliação de políticas voltadas à redução das desigualdades.
Em segundo lugar nas pesquisas aparece Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos conhecido pelo discurso linha-dura contra o crime organizado e pela admiração declarada por líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, presidente de El Salvador, com quem costuma ser comparado. Líder do movimento Defensores da Pátria, Espriella rejeita negociações com guerrilhas e promete uma ofensiva militar para conter a violência.
O candidato, apelidado de "El Tigre", também defende a saída da Colômbia de organismos internacionais como ONU e OEA, alegando que essas instituições promovem agendas ideológicas de esquerda. Sua campanha foi marcada por polêmicas e denúncias de ameaças, incluindo o assassinato de dois integrantes de sua equipe em maio.
Já Paloma Valencia, senadora do partido Centro Democrático e neta do ex-presidente Guillermo León Valencia, representa a direita tradicional colombiana e o chamado uribismo. Aliada histórica de Álvaro Uribe, Paloma foi contrária ao acordo de paz firmado com as Farc em 2016 e defende uma resposta militar mais contundente aos grupos armados.
A candidata também propõe o uso de inteligência artificial para combater a corrupção, políticas de atração de investimentos estrangeiros e medidas conservadoras em temas sociais. Embora apareça atrás dos adversários nas pesquisas recentes, segue como uma das principais forças da disputa e pode alcançar o segundo turno.