Primeiros indícios astronômicos sugerem que estrelas anãs vermelhas podem devorar planetas
Após identificar níveis inesperadamente altos de lítio em anãs vermelhas, os astronômos concluem que estrelas deste tipo podem devorar planetas inteiros durante a formação de seus sistemas.
Os astros encontraram as primeiras evidências de que anãs vermelhas podem devorar seus próprios planetas, um comportamento há muito suspeito, mas nunca confirmado. A descoberta surge a partir de dados do levantamento espectroscópico Gaia‑ESO, que revelou estrelas desse tipo com níveis anormais de lítio.
Essas pequenas estrelas, muito menores e mais frias que o Sol, não deveriam conter lítio, já que o elemento é rapidamente destruído em seus interiores quentes e turbulentos. Por isso, qualquer traço detectável funciona como um marcador claro de contaminação externa — um sinal de que a estrela engoliu material planetário ainda rico em lítio.
Segundo o pesquisador Robin Jeffries, até mesmo uma pequena quantidade desse elemento funciona como "tinta em uma tela em branco", tornando a assinatura química impossível de ignorar. A equipe abrange seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares com teores de lítio muito acima do esperado.
Uma análise detalhada sugere que essas estrelas podem ter consumidas o equivalente a três a dez Terras em material planetário. Esse processo destrutivo teria injetado lítio em suas atmosferas, explicando o excesso distribuído.
Como as anãs vermelhas representam cerca de 75% das estrelas da Via Láctea, o aparecimento pode ser muito mais comum do que se imaginava. Se confirmado, isso mudaria a compreensão sobre a evolução inicial de sistemas planetários e sobre o destino de mundos que orbitam estrelas de baixa massa.
Pesquisas futuras devem investigar quando essas estrelas são mais propensas a devorar seus planetas e como esse comportamento relacionado à formação e à estabilidade de sistemas planetários. Isso pode oferecer pistas inovadoras sobre a história química e dinâmica da galáxia e sobre a sobrevivência de mundos ao redor de anãs vermelhas, como os treinados em exoplanetas rochosos e sistemas planetários jovens.