ASTRONOMIA

Primeiros indícios astronômicos sugerem que estrelas anãs vermelhas podem devorar planetas

Por Sputinik Brasil Publicado em 31/05/2026 às 08:09
Ilustração mostra anã vermelha engolindo planetas, fenômeno sugerido por altos níveis de lítio. © NASA's Goddard Space Flight Center/S. Wiessinger

Após identificar níveis inesperadamente altos de lítio em anãs vermelhas, os astronômos concluem que estrelas deste tipo podem devorar planetas inteiros durante a formação de seus sistemas.

Os astros encontraram as primeiras evidências de que anãs vermelhas podem devorar seus próprios planetas, um comportamento há muito suspeito, mas nunca confirmado. A descoberta surge a partir de dados do levantamento espectroscópico Gaia‑ESO, que revelou estrelas desse tipo com níveis anormais de lítio.

Essas pequenas estrelas, muito menores e mais frias que o Sol, não deveriam conter lítio, já que o elemento é rapidamente destruído em seus interiores quentes e turbulentos. Por isso, qualquer traço detectável funciona como um marcador claro de contaminação externa — um sinal de que a estrela engoliu material planetário ainda rico em lítio.

Segundo o pesquisador Robin Jeffries, até mesmo uma pequena quantidade desse elemento funciona como "tinta em uma tela em branco", tornando a assinatura química impossível de ignorar. A equipe abrange seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares com teores de lítio muito acima do esperado.

Uma análise detalhada sugere que essas estrelas podem ter consumidas o equivalente a três a dez Terras em material planetário. Esse processo destrutivo teria injetado lítio em suas atmosferas, explicando o excesso distribuído.

Como as anãs vermelhas representam cerca de 75% das estrelas da Via Láctea, o aparecimento pode ser muito mais comum do que se imaginava. Se confirmado, isso mudaria a compreensão sobre a evolução inicial de sistemas planetários e sobre o destino de mundos que orbitam estrelas de baixa massa.

Pesquisas futuras devem investigar quando essas estrelas são mais propensas a devorar seus planetas e como esse comportamento relacionado à formação e à estabilidade de sistemas planetários. Isso pode oferecer pistas inovadoras sobre a história química e dinâmica da galáxia e sobre a sobrevivência de mundos ao redor de anãs vermelhas, como os treinados em exoplanetas rochosos e sistemas planetários jovens.