EUA atacam navio no Golfo de Omã e mantêm bloqueio contra o Irã
O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra o Irã permanece ativo no Golfo de Omã e no Estreito de Ormuz, apesar de declarações do presidente Donald Trump sugerindo a suspensão das restrições marítimas.
Na sexta-feira (29), forças norte-americanas atingiram a casa de máquinas do cargueiro M/V Lian Star, de bandeira da Gâmbia, após a embarcação tentar seguir para um porto iraniano em violação ao bloqueio.
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), eles realizaram mais de 20 advertências informando sobre o descumprimento das medidas impostas por Washington.
Após a tripulação não responder às ordens, uma aeronave norte-americana disparou um míssil Hellfire contra a casa de máquinas do cargueiro, inutilizando o motor e interrompendo a navegação.
De acordo com o comando militar, a operação faz parte do esforço para manter o bloqueio durante o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Até o momento, cinco navios comerciais foram desativados e outros 116 redirecionados para garantir o cumprimento das restrições.
O episódio ocorreu um dia após Trump afirmar, em publicação na rede Truth Social, que o bloqueio seria suspenso. "Os navios presos no estreito devido ao nosso incrível e sem precedentes bloqueio naval, que agora será suspenso, podem começar o processo de 'volta para casa'", escreveu o presidente na sexta-feira.
Segundo marinheiros iranianos ouvidos pela agência Tasnim, no entanto, navios que tentaram cruzar a linha de bloqueio após a mensagem de Trump foram interceptados por embarcações militares americanas e obrigados a recuar sob ameaça de fogo.
Neste sábado (30), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou que o bloqueio segue plenamente em vigor, contrariando a expectativa de flexibilização criada pela declaração presidencial.
Embora as hostilidades mais intensas entre Washington e Teerã tenham terminado em 7 de abril com um cessar-fogo, permanecem as tensões no Golfo Pérsico e no Mar Arábico. O Irã mantém como condições para qualquer acordo o fim do bloqueio naval, a retirada das sanções e a liberação de ativos congelados.
As negociações seguem cercadas de incerteza. Trump afirmou em maio que um acordo estaria próximo e chegou a dizer que o estreito de Ormuz seria reaberto, mas manteve o tom de pressão ao mencionar a possibilidade de retomada do conflito.
Nos últimos dias, ataques e ações militares de ambos os lados voltaram a alimentar a instabilidade na região, enquanto informações sobre um possível memorando para ampliar o cessar-fogo ainda não foram oficialmente confirmadas por Teerã.
Por Sputinik Brasil