AJUDA INTERNACIONAL

Brasil envia ajuda humanitária à Bolívia com 16 toneladas de arroz e 5 de leite em pó

Por Sputinik Brasil Publicado em 29/05/2026 às 16:05
Avião da FAB transporta arroz e leite em pó doados pelo Brasil à Bolívia durante crise política. © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Envio emergencial ocorre após pedido do governo boliviano, em meio a crise política e bloqueios no país.

O governo brasileiro enviou nesta sexta-feira (29) uma carga de ajuda humanitária à Bolívia composta por 16 toneladas de arroz e 5 toneladas de leite em pó integral. Os alimentos foram embarcados na base aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, e seguem para La Paz em uma aeronave cargueira KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB).

Segundo o Palácio do Planalto, a doação foi realizada em caráter emergencial, após um pedido do presidente boliviano, Rodrigo Paz, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito durante conversa telefônica no início desta semana.

De acordo com o governo federal, a remessa não compromete os estoques nem o abastecimento interno brasileiro. A operação foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, com participação dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social; do Desenvolvimento Agrário; da Defesa; da Fazenda; e da Justiça e Segurança Pública.

A ajuda brasileira ocorre em meio a um cenário de instabilidade na Bolívia, que enfrenta uma crise política, econômica e social marcada por protestos e bloqueios em diversas regiões. Nas últimas semanas, manifestantes interditaram rodovias e realizaram atos cobrando mudanças na política agrária, melhorias na qualidade do combustível e renúncia de Paz.

Apesar da escalada dos protestos, grande parte da população boliviana demonstra rejeição aos bloqueios. Segundo um levantamento divulgado pelo jornal La Razón, 98% dos entrevistados desaprovam esse tipo de mobilização e a intensificação da conflituosidade social no país.

De acordo com Gary Rodríguez, gerente do Instituto Boliviano de Comércio Exterior (IBCE), 97% afirmam que os bloqueios prejudicam a livre circulação e o trabalho, enquanto 96% rejeitam a medida como instrumento de pressão.

A pesquisa também indicou que 95% dos entrevistados defendem que os conflitos sejam resolvidos por meio do diálogo, e não de bloqueios, ao passo que 90% disseram já ter sido afetados diretamente por esse tipo de manifestação. Além disso, 96% consideram o bloqueio de estradas ou cidades um delito e 95% defendem a aplicação de sanções contra os responsáveis por essas ações.