SOBERANIA

Como tecnologias disruptivas podem impulsionar a soberania tecnológica no Brasil

Investimentos em alta tecnologia reacendem o debate sobre o papel das inovações no fortalecimento da economia brasileira.

Publicado em 29/05/2026 às 21:02
Investimentos em tecnologia podem impulsionar a soberania tecnológica brasileira, dizem especialistas. © telegram SputnikBrasil

Tecnologias disruptivas podem levar o Brasil à soberania tecnológica? O anúncio de investimentos do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) em infraestrutura, alta tecnologia e ciência reacendeu o debate sobre os caminhos do desenvolvimento tecnológico brasileiro.

Embora o país carregue a herança de uma industrialização tardia e de um modelo econômico historicamente agroexportador, o Brasil mantém relevância na produção científica mundial e acumula experiências de inovação em áreas estratégicas.

"O Brasil tem dificuldade de desenvolver tecnologias disruptivas" e investe pouco em inovação em relação a outras economias emergentes, argumenta o pesquisador José Augusto Zague, ressaltando que a perda de capacidade industrial ao longo das últimas décadas atingiu também o setor de defesa.

Para o cientista da computação Claudio Miceli, o potencial das tecnologias disruptivas para impulsionar o desenvolvimento brasileiro depende menos da ferramenta em si e mais da existência de uma estratégia nacional, capaz de conectá-la ao fortalecimento produtivo. "O que a gente precisa mais do que a IA é uma política pública que dê ao engenheiro brasileiro e a toda essa cadeia produtiva da indústria condições para prosperar", afirma.

Segundo o pesquisador, a inteligência artificial (IA) e outras tecnologias emergentes podem criar empregos, agregar valor e fortalecer cadeias produtivas, mas isso exige coordenação entre Estado, indústria e pesquisa. Ele defende que essas novas tecnologias sejam usadas para gerar efeitos de encadeamento sobre setores estratégicos da economia.

De acordo com Miceli, o Brasil reúne condições objetivas para transformar sua relevância acadêmica em inovação tecnológica e desenvolvimento econômico, mas ainda carece de um projeto nacional capaz de articular ciência, indústria e mercado.

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