ECONOMIA GLOBAL

China amplia uso global do yuan e desafia hegemonia do dólar, diz ex-dirigente do FMI

Ex-diretor do FMI afirma que fortalecimento do yuan e rede de swaps cambiais aproximam China do papel de credora internacional de última instância.

Publicado em 24/05/2026 às 11:34
China amplia uso do yuan e desafia a hegemonia do dólar no sistema financeiro global. © Foto / moerschy

A China intensifica a internacionalização do yuan e expande sua rede de swaps cambiais, estratégia que pode posicionar o país como credor internacional de última instância. Segundo Zhu Min, ex-dirigente do Banco Central da China e ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), a perda de confiança no dólar americano, aliada à força industrial chinesa, acelera essa transição monetária.

Em entrevista ao South China Morning Post, Zhu Min destacou que a crescente adoção do yuan em acordos internacionais abre caminho para mudanças significativas no sistema financeiro global. Ele defende que a China deve assumir um papel mais ativo como credora internacional de última instância.

De acordo com Zhu, a China já estabeleceu as bases para esse papel ao criar uma ampla rede de acordos de swap cambial. Esses acordos permitem que países parceiros acessem rapidamente yuan em momentos de crise, mecanismo que já auxiliou na superação de dificuldades de pagamento internacionais.

O ex-vice-governador do Banco Popular da China afirma que ampliar o uso global do yuan fortalece não apenas a economia chinesa, mas também a estabilidade financeira internacional. Pequim tem promovido essa estratégia para reduzir a dependência de canais financeiros dominados pelo dólar.

Zhu critica a "instrumentalização" do dólar, as guerras comerciais e os déficits fiscais dos Estados Unidos, fatores que, segundo ele, minam a confiança na moeda norte-americana. Ele ressalta que a China já firmou swaps com 32 países, incluindo economias ocidentais como Reino Unido e Suíça.

Esses instrumentos, comuns entre bancos centrais, funcionam como fonte de liquidez e podem complementar operações de resgate multilaterais. O atual governador Pan Gongsheng já afirmou que o yuan se tornou a terceira moeda mais utilizada em pagamentos globais, reforçando essa tendência.

Zhu também aponta que a forte base manufatureira da China é uma vantagem estratégica para impulsionar o uso internacional do yuan. Ele defende ampliar a participação da moeda em transações comerciais, cadeias globais de suprimentos e operações de crédito.

Segundo a reportagem, a valorização gradual do yuan desde o ano passado reforça esse movimento. Para Wang Chuanfu, fundador da BYD, a robustez industrial chinesa pode levar a moeda a se fortalecer ainda mais, podendo atingir três yuans por dólar nas próximas décadas, o que ajudaria a equilibrar o comércio global, segundo a mídia asiática.

Por Sputnik Brasil