Telescópio James Webb revela nuvens de areia que desaparecem antes do pôr do sol em exoplaneta distante
Observações inéditas do JWST mostram nuvens de silicato de magnésio em WASP-94A b, revelando detalhes sobre a atmosfera de um 'Júpiter quente'.
Pela primeira vez, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, registrou o ciclo meteorológico diário no exoplaneta WASP-94A b.
Neste exoplaneta gasoso, o céu da manhã é coberto por nuvens de silicato de magnésio vaporizado — o mesmo mineral que compõe a areia na Terra. No entanto, ao entardecer, essas nuvens se dissipam completamente.
O céu noturno limpo permitiu aos astrônomos obter dados inéditos e precisos sobre a composição química da atmosfera desse chamado 'Júpiter quente' — gigantes gasosos extremamente aquecidos que orbitam muito próximos de suas estrelas hospedeiras, conforme detalha o portal Phys.org.
Localizado a cerca de 690 anos-luz da Terra, WASP-94A b orbita uma das duas estrelas de seu sistema. O planeta é 1,7 vez maior que Júpiter, mas está situado a apenas 8,2 milhões de quilômetros de sua estrela, completando uma rotação em apenas quatro dias e atingindo temperaturas superiores a 1.200 °C. Nessas condições extremas, as nuvens não são formadas por vapor d'água, mas sim por metais e rochas vaporizados, originando tempestades de areia voláteis.
A determinação da composição química desses 'Júpiteres quentes' sempre foi um desafio devido à densa nebulosidade. O professor David Sing, da Universidade Johns Hopkins e líder do estudo, comparou a dificuldade a tentar "ver o planeta através de uma janela embaciada". Buscando entender se esses mundos permanecem constantemente envoltos em nuvens, a equipe realizou uma análise detalhada.
Os astrônomos observaram o trânsito de WASP-94A b — o momento em que o planeta passa em frente ao disco de sua estrela. Durante esse evento, a luz estelar atravessa a atmosfera do planeta e é absorvida por diferentes gases, permitindo aos cientistas identificar sua composição por meio dessa "impressão digital" espectral. O método possibilitou a análise separada das extremidades do planeta: a "manhã" e a "noite".
Na região onde o dia começa e o ar flui do lado noturno para o diurno, foram identificadas nuvens densas de silicato de magnésio. Já na borda oposta, ao anoitecer, as nuvens desaparecem, revelando uma atmosfera dominada por hidrogênio. Antes, o Telescópio Espacial Hubble não conseguia distinguir os sinais das duas extremidades, levando à impressão de que WASP-94A b possuía centenas de vezes mais oxigênio e carbono do que Júpiter, o que era improvável. Com o JWST, foi possível eliminar a influência das nuvens e constatar que a concentração desses elementos é apenas cinco vezes maior do que a de Júpiter. Assim, WASP-94A b revelou-se um planeta relativamente comum para sua categoria.
Por Sputnik Brasil