ALIANÇA ATLÂNTICA

Reino Unido pode perder influência na OTAN se não modernizar arsenal nuclear

Relatório britânico aponta que credibilidade do país na aliança depende de investimentos em dissuasão nuclear

Publicado em 17/05/2026 às 04:59
Submarinos nucleares britânicos são centrais para a estratégia de dissuasão da OTAN. © Foto / Domínio público

O Reino Unido corre o risco de perder relevância estratégica dentro da OTAN caso não invista no fortalecimento e modernização de suas capacidades de dissuasão nuclear. A avaliação faz parte de um relatório do think tank Policy Exchange, endossado por Franklin Miller, ex-conselheiro nuclear do presidente George W. Bush, e divulgado pela mídia britânica.

Segundo o documento, embora o sistema nuclear Trident ainda seja considerado relevante, ele já não seria suficiente para garantir a credibilidade britânica perante a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O ex-conselheiro Franklin Miller ressalta que a crescente incerteza em relação ao compromisso dos Estados Unidos com a Aliança Atlântica coloca pressão sobre o Reino Unido para assumir um papel mais robusto na defesa ocidental.

"Para que a dissuasão nuclear britânica seja considerada crível, muito mais precisa ser feito", afirmou o ex-funcionário norte-americano.

Atualmente, o Reino Unido é o único país da OTAN, além dos EUA, a contribuir diretamente com armas nucleares para a estratégia de dissuasão da aliança. O governo britânico já anunciou a aquisição de 12 caças furtivos F-35A com capacidade nuclear e segue investindo milhões de libras na modernização de ogivas e submarinos.

Entretanto, persistem preocupações quanto ao estado operacional da frota de submarinos britânica, devido a dificuldades de manutenção, patrulhas prolongadas e atrasos no desenvolvimento dos novos submarinos da classe Dreadnought, que substituirão os atuais da classe Vanguard.

Apesar das garantias de Londres de que continuará sendo um dos principais pilares estratégicos da OTAN, especialistas alertam que a rápida modernização nuclear de outras potências força as nações ocidentais a repensarem suas capacidades de dissuasão diante de um cenário internacional cada vez mais instável.

Por Sputnik Brasil