Risco de El Niño se formar até o fim do ano é de 98%, aponta agência dos EUA
NOAA eleva projeções e prevê fenômeno robusto, com impactos severos no clima da América do Sul e aumento de eventos extremos
O Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, vinculado à Agência de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês), elevou para 82% a probabilidade de um novo El Niño se formar entre o fim de maio e julho. Até o final do ano, a chance chega a 98%. Alguns especialistas já mencionam a possibilidade de um super El Niño.
A nova projeção representa um aumento significativo em relação ao boletim de abril, quando a probabilidade de formação do El Niño neste mesmo trimestre era de 61%. Segundo o informe divulgado na última quinta-feira, 14, o fenômeno deve se consolidar de forma muito robusta a partir do segundo semestre deste ano.
Para os trimestres agosto-setembro-outubro, setembro-outubro-novembro e outubro-novembro-dezembro, a probabilidade de formação do El Niño atinge quase 98%, praticamente descartando a neutralidade climática ou o retorno do La Niña nesse período. A chance de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027 também é alta: 96%.
Os impactos do El Niño devem começar a ser sentidos ainda neste outono e inverno, com tendência de intensificação na primavera e no início do verão.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento igual ou superior a 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno ocorre em intervalos de dois a sete anos, com duração média de um ano, e influencia diretamente o aumento das temperaturas médias globais. O aquecimento global tem tornado o El Niño mais frequente e intenso.
No Sul do Brasil, historicamente, o fenômeno eleva o risco de chuvas acima da média, temporais, enchentes e cheias de rios. Já nas regiões Norte e Nordeste, é comum ocorrer redução de chuvas, calor mais intenso e maior risco de secas e queimadas.
A tendência apontada pela NOAA reforça um cenário de forte influência do Pacífico sobre o clima da América do Sul no segundo semestre de 2026, com ondas de calor no centro do Brasil, aumento das queimadas no sul da Amazônia e tempestades frequentes e cheias de rios no Sul, Argentina e Uruguai.