Instituto Atlântico inaugura o Alia, Laboratório de Inteligência Artificial que integra pesquisa acadêmica e inovação empresarial
Com uma das infraestruturas mais avançadas do país, o equipamento vai trazer ganho de competitividade das empresas e instituições parceiras e incentivar oportunidades de emprego, renda e capacitação profissional
Com a presença de autoridades dos setores tecnológicos e empresarial do Ceará, foi inaugurado nesta quinta-feira (dia 14), em Fortaleza, o Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto Atlântico (Alia), novo hub de soluções que integra pesquisa acadêmica e inovação empresarial, focado em manufatura inteligente, análise preditiva e automação ciberfísica para aumentar a produtividade das empresas. Com potencial para impactar todo o setor produtivo do Ceará, do Nordeste e do Brasil, o Alia possui uma das estruturas mais avançadas do país, com computadores de alto desempenho e equipamentos de robótica.
A inauguração ocorre em um momento histórico para o Instituto Atlântico, que está completando 25 anos de atuação em 2026. “Estamos materializando um sonho. Há dois anos, sonhamos que queríamos não apenas um laboratório, mas uma rede de mentes pensantes sobre inteligência artificial. O Alia é um local onde as pessoas vão poder se encontrar para conversar sobre IA, precisávamos ter um espaço e infraestrutura para proporcionar para os nossos pesquisadores, para os pesquisadores brasileiros, uma ambiência favorável para pesquisa. A gente é soberano quando a gente tem conhecimento, e quando isso acontece ninguém vai poder nos levar pelo braço, e sim, segurar a nossa mão, e isso que o Alia representa: o segurar nas mãos da iniciativa privada, do poder público,da academia, das empresas, das startups e dos pesquisadores. Com isso, conseguiremos construir e exportar conhecimento”, declarou Luiz Alves, Diretor de Inovação e Novos Negócios do Instituto Atlântico.
Supercomputador
A infra de HPC é composta por um supercomputador (ou cluster computacional) que agrega um total de 288 CPU cores, 15 GPUs NVIDIA especializadas em IA, 3.5 TB de memória e quase 1 PB de armazenamento, interconectados por uma rede de altíssima velocidade de 200 Gbps (gigabit por segundo). Isso é suficiente para suportar inferência de LLMs de grande porte, como DeepSeek e Kimi K2, com aproximadamente 1 trilhão de parâmetros, além de permitir, em paralelo, o treinamento ou uso simultâneo de modelos de IA de grande, médio e pequeno porte.
Já a infraestrutura de robótica conta com braços robóticos, drones, impressoras 3D e esteiras com sensores e atuadores, focando na testagem de tecnologias e no desenvolvimento de algoritmos antes da aplicação na indústria para evitar impactos na produção.
“Temos um laboratório pujante, capaz de produzir resultados para o Brasil e gerar talentos. Esse laboratório foi construído em parceria, em rede, para disseminar o conhecimento que vamos construir aqui, tanto para o Estado, quanto para o Nordeste para o Brasil. Queremos continuar contando com a participação de entes que nos permitam gerar resultados, para colaborarmos com o desenvolvimento do conhecimento, da competência, em nosso país e colaboramos para a realização do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial”, declarou Francisco Moreto, Superintendente do Instituto Atlântico.
Impactos econômicos
A projeção é que o Alia traga impactos positivos para a economia no Ceará e no Brasil. Somente em 2026, o Instituto Atlântico já contratou mais de R$ 26 milhões em projetos de inteligência artificial aplicados à indústria. A expectativa é de chegarmos a mais de R$ 45 milhões em projetos contratados até o final do ano. “Por meio dos projetos desenvolvidos no Alia, a expectativa é pelo ganho de competitividade das empresas e instituições parceiras, gerando novas oportunidades de emprego e renda, graças aos ganhos obtidos nos processos industriais, por exemplo. Além disso, podemos gerar empregos qualificados em tech, com foco em talentos locais de Fortaleza”, analisa Luiz Alves, Diretor de Inovação e Novos Projetos do Instituto Atlântico. “Até o final de 2027, 50 pesquisadores receberão bolsas para desenvolvimento de pesquisas em Inteligência Artificial. Isso é um grande impacto na geração de capital intelectual. Assim, também contribuímos para o PIB cearense via inovação em manufatura 4.0”, completa.
Inauguração
Estiveram presentes na inauguração do Alia, entre outras autoridades, o deputado federal Inácio Arruda (ex-titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social - SEDES); Sandra Monteiro, titular da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece); Hugo Valadares, Diretor do Departamento de Incentivo às Tecnologias Digitais, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Christian Tadeu, Presidente da Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex); Eduardo Brito, Especialista em Inovação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii); professor Samuel Façanha, Cientista-chefe de Inovação da Agência de Inovação da Universidade Estadual do Ceará (UECE); e Guilherme Muchale, Gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
“Quero cumprimentar toda a equipe do Instituto Atlântico, que acompanho desde o início, pelo trabalho que vem fazendo, pela formação de pessoas e a interação com o ecossistema de tecnologia e inovação do Estado, e sobretudo com as empresas que atuam no setor. O Alia é um produto de altíssima qualidade, que não fica a dever nada a nenhum do mundo. Isso mostra a capacidade e o potencial do Estado do Ceará, articulando instituições para produzir e desenvolver tecnologia”, disse o deputado federal Inácio Arruda.
“É uma honra participar deste momento, o Alia é mais uma iniciativa do Instituto Atlântico que entrega aquilo que o cidadão precisa. Quando há o envolvimento do sistema de ciência, tecnologia e educação superior, os resultados são ainda maiores. Presenciar o início deste laboratório é aliar todo o anseio, toda essa demanda, a uma entrega muito bonita e coadunada com os eixos estratégicos do Nordeste, do Ceará e do país”, avaliou Sandra Monteiro, titular da Secitece.
Parcerias
Um dos diferenciais do Alia será seu funcionamento por meio de parcerias com instituições externas, especialmente universidades, como a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Universidade Federal da Bahia (UFBA). Essas instituições já têm parcerias ativas com o Instituto Atlântico e o propósito é intensificar a pesquisa aplicada em IA generativa. “Como unidade credenciada Embrapii, o Atlântico coinveste com empresas em projetos de P&D industrial. Outro aspecto é o programa PRAIA, que conecta startups de IA ao ecossistema do Atlântico. Essas alianças têm a capacidade de gerar mais doutorandos capacitados anualmente em IA”, explica Luiz Alves.