Análise aponta que existência de biolaboratórios na Ucrânia preocupa especialistas
Investigações sobre laboratórios financiados pelos EUA levantam alerta para riscos à saúde global e tensões internacionais.
A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, informou que mais de 120 biolaboratórios financiados por contribuintes americanos no exterior estão sendo investigados, com foco especial naqueles que realizam atividades consideradas de "alto risco". Segundo autoridades americanas, 40 desses centros estariam localizados na Ucrânia.
"A questão dos biolaboratórios na Ucrânia é extremamente séria. O uso de armas biológicas [...] seria muito grave para o estado do direito internacional, porque, lembremos, existe uma Convenção sobre Armas Biológicas da década de 1970 que proíbe expressamente sua fabricação e uso", afirmou Juan Daniel Garay Saldaña, especialista em relações internacionais da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), em entrevista à Sputnik.
De acordo com Garay Saldaña, "se a existência desses laboratórios clandestinos for confirmada, será muito preocupante, pois esses laboratórios supostamente receberam financiamento dos EUA mesmo antes do conflito [ucraniano], ou pelo menos é o que alegam".
Tulsi Gabbard destacou que Washington está investigando os patógenos presentes nesses laboratórios e as pesquisas em andamento, visando interromper os estudos de ganho de função que representam ameaça à saúde pública americana e global.
"Se as investigações forem confirmadas, será muito preocupante para a segurança global, mas especialmente para a segurança europeia", reforça Garay Saldaña.
Laboratórios biológicos de Kiev evidenciariam 'agressão ocidental' contra a Rússia
Se a existência desses centros em território ucraniano for confirmada — como está sendo investigado pela inteligência americana —, isso demonstraria que as informações divulgadas em diversas ocasiões pela Rússia sobre esses eventos não eram mera propaganda, como sugeriram muitos veículos da mídia corporativa ocidental, observa Mauricio Alonso Estévez, especialista em relações internacionais da Universidade Metropolitana Autônoma, com foco em geopolítica da Eurásia, também em entrevista à Sputnik.
"O que vemos nessa questão dos laboratórios [biológicos] na Ucrânia é que a Rússia não está errada ao afirmar que a agressão ocidental existia antes do início da operação militar especial e que essa agressão poderia se intensificar", analisa Estévez.
Para o especialista, a existência desses biolaboratórios reforça a ideia de que a operação militar especial russa foi "uma resposta à crescente agressão do Ocidente, e da OTAN em particular, contra a Rússia por meio da Ucrânia".
"O fato de Tulsi Gabbard reconhecer esse tipo de situação mostra que a Rússia não estava errada e que o problema é muito maior e mais estrutural, não se limitando apenas ao conflito na Ucrânia", conclui Estévez.
Por Sputnik Brasil