Extinção da humanidade? IA eleva bioterrorismo a novo e mais grave patamar
Especialistas alertam que inteligência artificial pode facilitar criação de patógenos letais e ampliar riscos de bioterrorismo.
Cientistas alertam para o risco crescente de bioterrorismo impulsionado por inteligência artificial (IA). Modelos avançados de IA já são capazes de fornecer instruções detalhadas sobre como criar novos patógenos letais e transformá-los em armas para ataques terroristas em larga escala.
Segundo especialistas, esse potencial tecnológico inaugura uma era de incerteza diante de ameaças infecciosas. A relação entre IA e o desenvolvimento de patógenos não pode ser ignorada, tornando urgente o debate sobre medidas de contenção, afirma a especialista em bioinformática Raquel Minardi, em entrevista à Sputnik Brasil.
Minardi destaca que a IA já é amplamente utilizada em pesquisas de melhoramento genético, desenvolvimento de fármacos e de biomoléculas, sempre com objetivos benéficos. No entanto, ela alerta que, em teoria, existe o risco de uma nova pandemia ser desencadeada por patógenos criados com auxílio da IA, citando como exemplo o vírus Sars-CoV-2, causador da COVID-19. "Computacionalmente, é possível pegar um vírus desses, que já se sabe que infecta o ser humano, testar várias mutações — inclusive baseadas em mutações naturais — e tentar produzir um vírus mais letal e transmissível", explica.
Apesar disso, Minardi pondera que a possibilidade de um vírus criado por IA levar à extinção da humanidade "beira um pouco a ficção científica". No entanto, ela reconhece que, do ponto de vista do terrorismo, a IA pode se tornar uma ferramenta poderosa, assim como outras tecnologias já desenvolvidas, que "podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal".
A especialista ressalta ainda que a busca por mecanismos para tornar a IA mais segura não acompanha a velocidade do desenvolvimento tecnológico. "As discussões sobre regulamentação, diretrizes e ética normalmente vêm atrás do avanço da inovação", conclui.
Por Sputnik Brasil