INDÚSTRIA TÊXTIL

Abit critica fim da 'taxa das blusinhas' e alerta para prejuízos à produção nacional

Entidade do setor têxtil afirma que decisão do governo favorece concorrência estrangeira e ameaça empregos no Brasil

Publicado em 12/05/2026 às 21:59
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Abit, associação que representa os fabricantes de vestuário, divulgou nota de repúdio manifestando "profunda preocupação" com a decisão do governo federal de zerar a chamada "taxa das blusinhas" — imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 em sites internacionais.

"Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil", afirma a entidade.

Segundo a Abit, a medida amplia a desigualdade tributária e regulatória na competição com produtos importados, prejudicando empresas nacionais tanto da indústria quanto do varejo. Atualmente, cerca de 80% das peças de vestuário vendidas no país têm valor inferior a US$ 50.

A associação considera "inadmissível" que empresas brasileiras arquem com uma elevada carga tributária, além de juros reais altos e exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado brasileiro.

"Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro", lamenta a Abit.

A entidade ressalta ainda que a decisão representa um golpe sobre os investimentos produtivos, a geração de empregos formais e toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil. A Abit também alerta para o impacto negativo sobre a arrecadação pública, citando que apenas nos quatro primeiros meses de 2026 o governo federal arrecadou R$ 1,78 bilhão com encomendas internacionais.