Ibovespa emenda nova perda e cai aos 180 mil pontos, menor nível desde 20/3
Agora no menor nível desde 20 de março, o Ibovespa cedeu nesta terça-feira, 12, em direção aos 180 mil pontos, acumulando perda de cerca de 18 mil pontos em pouco menos de um mês quando comparado às máximas históricas de 14 de abril, então a 198,6 mil naquele fechamento, tendo chegado também à casa de 199 mil pontos no intradia na mesma sessão. Nesta terça, o índice resvalou para 179.938,70 pontos na mínima do dia, saindo de abertura a 181.896,57 em nível correspondente à máxima desta terça-feira.
Ao fim, marcava 180.342,33 pontos, em baixa de 0,86%, com giro a R$ 29,1 bilhões. Na semana, em duas sessões, o Ibovespa recua 2,05% e, no mês, cai 3,72%. No ano, sobe 11,93%. A desta terça foi a terceira perda em quatro sessões, com destaque para o mergulho de 2,38% na última quinta-feira - na sexta, a alta foi de apenas 0,49%.
Dentre as blue chips, nem mesmo Petrobras (ON -1,16%, PN -1,62%) se descolou de mais um dia de correção na B3, após o balanço trimestral em geral conforme o esperado - ainda que em alguns pontos abaixo do que se previa. Os resultados favoreceram uma realização de lucros nos papéis da estatal, que ainda acumulam fortes ganhos no ano, de 55,77% na ON e de 49,92% na PN. Dessa forma, as ações da empresa não surfaram nova alta do Brent, de cerca de 3,5% na sessão.
Principal papel do Ibovespa, Vale ON chegou a ensaiar alta no fim da sessão, mas fechou ainda em baixa, de 0,24%. Entre os bancos, destaque para Itaú PN, em queda de 1,14%, e para BB ON, que encerrou na mínima do dia, em baixa de 1,02%. O dólar à vista seguiu a R$ 4,89, pouco acima da estabilidade nesta terça-feira.
Na B3, na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Braskem (+29,02%) - após a elevação da recomendação do JPMorgan, para compra, com o papel tendo acumulado muito desconto -, à frente de Hapvida (+9,27%) e Direcional (+3,50%). No lado oposto, Natura (-5,62%), Yduqs (-4,03%) e Azzas (-3,29%).
Em Nova York, após novos recordes para S&P 500 e Nasdaq na segunda-feira, o dia foi de ajuste, com destaque para o índice de tecnologia, que cedeu 0,71% - o Dow Jones obteve ao fim leve ganho de 0,11% na sessão.
"O mercado lá fora teve um dia negativo, com o petróleo em alta ante novos impasses entre Estados Unidos e Irã. E em dia no qual o CPI de abril refletiu os impactos do choque de preços de energia sobre a inflação americana, pressionando as taxas dos Treasuries para cima e dando força global ao dólar", diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta terça-feira, impulsionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas dúvidas sobre uma solução diplomática para o impasse quanto ao Estreito de Ormuz. O mercado também reagiu a declarações do presidente Donald Trump sobre a fragilidade do cessar-fogo na região e ao temor de uma interrupção prolongada no fluxo global de petróleo.
No Brasil, "a Bolsa vem sendo impactada principalmente pela reversão parcial do fluxo de estrangeiros, que foi o fator relevante para a alta dos últimos meses. E, obviamente, o resultado da Petrobras traz um impacto, na medida em que as ações da empresa foram as maiores beneficiadas pela guerra no Irã", diz Marcelo Fonseca, economista da CVPAR. Assim como Fonseca, Eduardo Levy, economista e sócio responsável pela LB Endow, destaca pontos do balanço da Petrobras que ficaram "bem abaixo" do que o mercado esperava, o que contribuiu para o Ibovespa no negativo.
No quadro mais amplo, "a queda da Bolsa ainda reflete, acima de tudo, um cenário macroeconômico bastante pressionado, especialmente pelo ambiente internacional, com os conflitos no Oriente Médio sem qualquer sinal concreto de resolução", diz Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain. "O mercado até encerrou a semana passada com certo otimismo diante da expectativa de possível acordo. Mas bastou o início desta semana para o alívio se dissipar, com novas recusas às negociações e o aumento da percepção de risco", acrescenta.