ECONOMIA GLOBAL

Inflação dos EUA preocupa e reduz otimismo, diz dirigente do Fed de Chicago

Austan Goolsbee afirma que dados recentes reforçam temores sobre persistência inflacionária, mas mantém esperança de queda nos juros caso haja progresso.

Publicado em 12/05/2026 às 16:54
Austan Goolsbee

Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, declarou nesta terça-feira, 12, que os dados de inflação ao consumidor (CPI) de abril trouxeram poucos sinais positivos e intensificaram as preocupações sobre a persistência das pressões inflacionárias nos Estados Unidos. Segundo Goolsbee, o Fed não enfrenta atualmente um difícil equilíbrio entre os objetivos de inflação e emprego, já que o mercado de trabalho permanece basicamente estável, enquanto a inflação segue em alta.

Durante evento promovido pela Câmara do Comércio de Greater Rockford, o dirigente destacou que a inflação "está indo na direção errada não só sobre petróleo e tarifas", referindo-se à disseminação das altas de preços em diferentes setores da economia. Ele ressaltou que a trajetória de alta da inflação de serviços tem sido motivo de preocupação para os membros do banco central americano.

Os comentários de Goolsbee foram feitos após o Departamento do Trabalho divulgar que o CPI subiu em linha com as expectativas do mercado em abril, mas a taxa anual ficou ligeiramente acima do projetado.

Apesar do cenário de inflação persistente, Goolsbee manteve o otimismo de que os juros poderão cair "consideravelmente" ao longo do tempo, desde que haja progresso na desaceleração da inflação. "Continuo otimista que as taxas podem cair bastante, mas precisamos de progresso na inflação", afirmou.

Sobre a atividade econômica, Goolsbee avaliou que o mercado de trabalho dos EUA segue estável, embora não possa ser considerado forte. "O mercado de trabalho está estável, mas não está bom", disse.

O presidente do Fed de Chicago também minimizou riscos sistêmicos relacionados ao mercado de crédito privado, afirmando que a interconexão entre esse setor e as instituições financeiras tradicionais "não é tão grande quanto as conexões observadas na crise financeira de 2007 a 2009".