JUDICIÁRIO

Caso Ana Clara: Trio vai a júri popular por feminicídio de adolescente no Sertão

Crime ocorrido em 2025 chocou o município de Maravilha; Ministério Público busca condenação máxima para os três acusados nesta quinta-feira

Por Redação Publicado em 12/05/2026 às 16:13
Ana Clara Arquivo Pessoal/Reprodução

O Tribunal do Júri se reúne nesta quinta-feira (14) para julgar os três acusados pelo assassinato de Ana Clara Firmino da Silva, de apenas 12 anos. O crime, que completou pouco mais de um ano, ocorreu em janeiro de 2025, no município de Maravilha, e mobilizou as autoridades de Alagoas pela brutalidade e motivação fútil.

No banco dos réus estão um homem de 21 anos, apontado como o autor direto do feminicídio, além de outro jovem de 23 anos e uma mulher de 26 anos, denunciados por participação no crime. O Ministério Público Estadual (MPAL) sustenta a tese de feminicídio consumado e tentativa de homicídio triplamente qualificado contra um segundo adolescente, que sobreviveu ao ataque.

Clamor por Justiça

Para o promotor José Antônio Malta Marques, responsável pela acusação, o episódio é um exemplo extremo da cultura de posse. "Um crime estarrecedor. O Ministério Público utilizará todos os recursos para que os autores sejam punidos por tamanha estupidez", afirmou.

Marques destaca que a vítima teve a vida interrompida antes mesmo de vivenciar a adolescência. "O homem precisa saber ouvir e aceitar um não. Estaremos sustentando as qualificadoras para fortalecer o crime de feminicídio", pontuou o promotor.

Relembre o Caso

A tragédia aconteceu na noite de 2 de janeiro de 2025, durante as celebrações da festa da padroeira de Maravilha. Ana Clara e amigos conversavam na calçada de uma creche quando foram abordados pelo trio, que chegou ao local em um carro prata.

O inquérito revelou detalhes sombrios sobre a dinâmica do crime:

Perseguição: O principal acusado já vigiava e perseguia a menina em eventos públicos, descontente por não ser correspondido.

Violência: Dois amigos da vítima foram liberados, mas Ana Clara e um colega foram espancados. O rapaz conseguiu fugir mesmo após ser esfaqueado nas costas.

Crueldade: Ana Clara não resistiu às agressões. Ela foi atingida por diversos golpes de faca e encontrada morta com a arma do crime ainda cravada em suas costas.

Investigação e Provas

Os suspeitos foram detidos três dias após o crime e denunciados formalmente em fevereiro do ano passado. Durante a fase de instrução, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram uma reprodução simulada dos fatos para sanar dúvidas sobre a participação de cada envolvido.

O julgamento é cercado de expectativa pela população local, que realizou diversas manifestações pedindo rigor na aplicação da lei desde a época do assassinato. Caso condenados, as penas dos réus podem ultrapassar os 30 anos de reclusão.