Aversão ao risco global e balanço da Petrobras pressionam queda do Ibovespa
Índice recua com tensão no Oriente Médio, resultados abaixo do esperado da Petrobras e indicadores de inflação no Brasil e nos EUA.
Os investidores acompanham de perto os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto monitoram as consequências do conflito no Oriente Médio. O mercado reagiu negativamente após o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar como "lixo" a proposta de paz apresentada pelo Irã. Como resultado, o Ibovespa opera em queda desde a abertura, refletindo o movimento das principais bolsas ocidentais diante da ausência de sinais para o fim do conflito, fator que mantém elevada a preocupação com a inflação global.
Pela manhã, o Ibovespa intensificou as perdas e recuou abaixo dos 181 mil pontos, após atingir esse patamar na máxima inicial. O movimento expressa a apreensão dos investidores quanto aos efeitos da guerra sobre a inflação mundial, em meio à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos.
Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, mesmo com os indicadores de abril em linha com as previsões, o impacto nos ativos é limitado, pois o foco permanece no cenário externo. "Os índices de inflação sempre influenciam os mercados, mas não surpreendem. O que pesa é o ambiente internacional", pontua.
Outro fator de atenção é o lucro da Petrobras, que veio abaixo do esperado. As ações da estatal recuam, mesmo diante da valorização superior a 3% do petróleo no exterior. O ambiente de cautela é ampliado pela queda de 0,98% no minério de ferro – pressionando papéis do setor de metais – e pelo desempenho negativo de bancos e empresas sensíveis ao ciclo econômico.
Apesar de o IPCA de abril ter ficado em linha com o previsto, Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca que o dado cheio tem relevância limitada. "Núcleo e serviços subjacentes acelerando é o que realmente importa, pois é isso que o Banco Central observa para calibrar a Selic", explica.
O lucro da Petrobras ficou 21,5% abaixo das projeções médias de cinco casas consultadas pelo Prévias Broadcast. Apesar disso, a companhia aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas.
Para a Monte Bravo, a surpresa negativa no balanço reflete um descasamento entre entregas e preços no trimestre, mas a expectativa é de uma dinâmica mais positiva no segundo trimestre de 2026.
O IPCA divulgado nesta manhã registrou alta de 0,67% em abril, ante 0,88% em março, segundo o IBGE. No acumulado de 12 meses, a taxa foi de 4,39%.
Os resultados do IPCA vieram em linha com as expectativas do mercado. Os dados, assim como o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), podem fortalecer apostas de corte da Selic em junho, mas persistem dúvidas sobre os próximos passos do Banco Central, devido à instabilidade no Oriente Médio.
O IGP-M desacelerou para 0,27% na primeira prévia de maio, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas. Em abril, o indicador havia avançado 0,95% na primeira prévia.
A inflação ao consumidor dos EUA subiu 0,6% em abril, dentro do esperado, o que pode influenciar as projeções para os juros norte-americanos.
Na última sessão, o Ibovespa encerrou em baixa de 1,19%, aos 181.908,87 pontos, o menor nível desde 27 de março.
Às 11h31 desta terça-feira, o Ibovespa recuava 1,01%, na mínima do dia, aos 180.072,85 pontos, após abertura na máxima de 181.896,57 pontos (-0,01%).