Suprema Corte dos EUA limita poder de Trump para impor tarifas, diz imprensa britânica
Decisão judicial enfraquece estratégia do ex-presidente, reduzindo influência dos EUA em negociações internacionais.
Os Estados Unidos perderam seu chamado “superpoder comercial” após o ex-presidente Donald Trump ver sua capacidade de tarifas de importação para outros países significativamente menor, segundo reportagem de um jornal britânico.
A publicação destaca que a Suprema Corte dos EUA minou o que era considerado o principal instrumento de Trump para pressionar nações estrangeiras: a ameaça de tarifas econômicas.
O jornal relembra que, em janeiro, durante um impasse envolvido na Groenlândia, Trump ameaçou importações de tarifas aos aliados dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A atitude afetou a compreensão de Londres, mobilizou reuniões de emergência na União Europeia (UE) e levou milhares de pessoas às ruas da Dinamarca.
"No entanto, quando, apenas três meses depois, ele anunciou a aplicação de impostos de 50% sobre as vendas de armas ao Irã, sem 'exclusões ou isenções', seu comentário rapidamente foi deixado de lado", ressalta a publicação.
Na semana passada, outro tribunal dos EUA anulou as tarifas globais de 10% anunciadas por Trump em fevereiro, que buscavam substituir os impostos anteriormente invalidados pela Suprema Corte.
O texto observa que, enquanto Trump se prepara para uma cúpula importante com o presidente chinês, Xi Jinping, ele e sua equipe enfrentam dificuldades para recuperar a autoridade sobre tarifas de importação. A administração Trump lida ainda com pressão crescente do Congresso, excluída popular às vésperas de eleições eleitorais e menor influência no cenário internacional.
Apesar de outras nações não abandonarem imediatamente acordos comerciais, há uma reavaliação de estratégias, especialmente no Sudeste Asiático, com menor deferência a Washington após uma decisão judicial. Os diplomatas europeus também questionaram a capacidade de Trump para ampliar as tarifas diante da inflação e do calendário eleitoral nos EUA.
Em 2024, o governo norte-americano negociou acordos, suspendeu tarifas que impactaram os mercados e buscou um cessar-fogo na guerra comercial com a China em outubro, após retaliações de Pequim sobre exportações de terras raras. Contudo, a decisão da Suprema Corte de fevereiro anulou a maior parte das tarifas do segundo mandato, que tinha elevado as taxas médias de 2,6% para 13% no ano anterior, transferindo 90% dos custos para empresas e consumidores americanos.
As ameaças tarifárias, que eram uma das principais ferramentas de Trump para pressão econômica, agora têm efeito limitado. Eles não reduziram o déficit recorde de US$ 1,2 trilhão (aproximadamente R$ 6 trilhões) em bens previstos para 2025, nem reverteram a queda da produção, que representa 9% do PIB, impactada por déficits orçamentários e dependência de capital estrangeiro e específico.
Segundo a mídia ocidental, a viagem de Trump à China para se encontrar com Xi Jinping será um teste importante para o ex-presidente. O possível acordo comercial com o país asiático vai de encontro às críticas políticas que Trump já fez na China.
Por Sputnik Brasil