Dólar cai a r$ 4,95 com apetite ao risco e recua mais de 4% em abril
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 30, em queda firme e abaixo do nível de R$ 5,00, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior. Apesar da ausência de sinais concretos de progresso nas negociações de paz no Oriente Médio, houve recuperação do apetite por ativos de risco, como bolsas e moedas emergentes, diante do alívio nos preços do petróleo.
Depois de certa volatilidade pela manhã, quando a taxa de câmbio esteve mais suscetível a fatores técnicos, como a disputa pela formação da última taxa Ptax de abril, o dólar se firmou em queda na segunda etapa de negócios. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY esboçou romper o piso dos 98,000 pontos à tarde.
Com mínima de R$ 4,9512, o dólar à vista encerrou a sessão em baixa de 0,98%, a R$ 4,9527 - menor valor de fechamento desde 7 de março de 2024 (R$ 4,9337). A moeda americana encerra abril com desvalorização de 4,36%, após alta de 0,87% no mês passado. No ano, o dólar recua 9,77% frente ao real, que tem o melhor desempenho no período entre as divisas mais líquidas.
Segundo operadores, questões políticas domésticas foram monitoradas, mas não tiveram impacto relevante na formação da taxa de câmbio. Na noite de quarta-feira, o governo Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma derrota no Senado, que rejeitou a nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O Congresso Nacional derrubou nesta quinta o veto presidencial ao projeto da dosimetria.
"O comportamento do real esteve em linha com o de moedas pares, como o peso chileno, o rand sul-africano e o dólar australiano. Houve um movimento global de desvalorização do dólar. O iene subiu cerca de 2,5% com a possibilidade de intervenção do Banco Central japonês", afirma o diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.
Pela manhã, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que o momento de tomar "ação decisiva" no mercado cambial está se aproximando, dado que o iene desceu recentemente ao menor nível desde 1990. Nos últimos dias, o iene atingiu o menor nível desde 1990.
Além do ambiente externo de enfraquecimento do dólar, o real segue amparado pela perspectiva de manutenção de diferencial de juros expressivo durante os próximos meses após o resultado da superquarta. Como esperado, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. As apostas majoritárias são de retomada de cortes de juros apenas em 2027.
Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu nova redução de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, para 14,50% ao ano, e reiterou a postura cautelosa no que chama de "calibração" da política monetária, tendo em vista os riscos inflacionários com o choque energético.
"A perspectiva de manutenção de um diferencial grande de juros após o comunicado do Copom na quarta favorece o ingresso de fluxo de recursos e dá sustentação ao real", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, ressaltando que o BC alertou para riscos inflacionários diante da incerteza provocada pela guerra no Oriente Médio. "E os números do mercado de trabalho em março, divulgados pela manhã, mostram ainda muita resiliência. Tudo isso contribui para a percepção de que há menos espaço para cortes de juros."
Em relatório, o Bradesco avalia que a "incerteza com relação à extensão e aos impactos do conflito deverá fazer com que o Copom mantenha a estratégia de redução da Selic em passos de 0,25 p.p.". A perspectiva do banco é que a taxa básica encerre o ano em 12,75%.
O Bradesco prevê que a taxa de câmbio flutue em torno de R$ 5,00 até o fim do próximo ano, uma vez que o Brasil voltou ao radar dos investidores, o que favorece o real. "Há um movimento global de realocação de portfólios que tem beneficiado os ativos de mercados emergentes, com a moeda brasileira sendo um dos destaques positivos", afirma o banco.