Confiança do consumidor brasileiro cai abaixo de 50 pontos em abril, aponta Ipsos
Índice recua para 49,2 pontos e revela percepção negativa sobre o cenário econômico nacional; tendência acompanha pessimismo global.
A confiança do consumidor brasileiro recuou 3 pontos em abril, atingindo 49,2 pontos e, pela primeira vez no ano, ficou abaixo do patamar dos 50 pontos. O resultado sinalizando que a cautela observada nos meses anteriores cedeu espaço a uma percepção predominantemente negativa sobre a economia. Os dados são do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), divulgado pela Ipsos e com abrangência nacional.
"Cruzamos em abril uma fronteira psicológica importante, mas os dados nos mostram que o Brasil não é uma ilha nesse processo. Ao atingir 49,2 pontos, o consumidor brasileiro sinaliza a mesma fadiga da inflação que vendemos nos EUA e na Europa", avalia Rafael Lindemeyer, diretor da Ipsos.
De acordo com a pesquisa, as expectativas futuras vinham baseadas na estabilidade para o índice, mas o cenário de abril revela uma amplitude mais ampla. O componente de Expectativas, que sustentava o otimismo, sofreu uma correção significativa. Para a Ipsos, esse movimento sugere que o consumidor deixou de projetar uma melhoria automática no curto prazo, influenciado pela persistência de juros elevados e revisões para cima nas projeções de inflação de itens essenciais, como alimentos e energia.
“A blindagem das expectativas futuras sofreu uma fissura porque o consumidor está sentindo na caixa do supermercado que o custo de vida não cedeu. Não estamos diante de um colapso, mas de um movimento claro de retirada. O otimismo deu lugar à proteção de patrimônio. Para as marcas, o recado é de que o consumidor entrou oficialmente em modo de espera estratégica, priorizando custo-benefício até que o cenário devolva a segurança para gastar”, complementa Lindemeyer.
Os indicadores ligados ao presente refletem esse movimento. Os subíndices de Situação Atual e de Investimento foram os mais impactados, diminuindo que o brasileiro entrou em um forte “modo de retirada”. Trata-se de uma postura defensiva, em que o consumidor adia compras de maior valor e investimentos para priorizar a manutenção do orçamento doméstico. A percepção de segurança no mercado de trabalho, embora ainda relevante, também apresentou oscilação negativa.
ICC Ipsos Global
A retração observada no Brasil acompanha um mês de perdas quase generalizadas no cenário global, segundo a Ipsos. Potências como Estados Unidos e Reino Unido registraram quedas de 2,2 e 2,1 pontos, respectivamente, enquanto a Alemanha perdeu 1,8 ponto. Na América Latina, Argentina e Chile também tiveram quedas acentuadas, com o Chile recuando 7,5 pontos.
De acordo com o diagnóstico global da Ipsos, esse choque de pessimismo tem um gatilho claro: os impactos econômicos decorrentes da eclosão da Guerra no Irã, no final de fevereiro.