Confira as moradias mais buscadas para alugar e o impacto do setor na gestão imobiliária
Levantamento da Universal Software mostra que mulheres lideram o aluguel (53,8%) e que a busca por casas para alugar é quatro vezes maior que por compra
A dinâmica do mercado imobiliário brasileiro reflete uma clara divisão de comportamento entre gêneros no ambiente digital. Enquanto a busca pela casa própria apresenta um equilíbrio com leve protagonismo masculino, a jornada de locação é majoritariamente conduzida por mulheres.
Esse cenário exige que a gestão imobiliária se torne mais sensível às prioridades do público feminino, que hoje detém o maior volume de intenção de busca para novos contratos de aluguel no país. O levantamento foi realizado pela Universal Software, empresa para gestão de imobiliárias.
A pesquisa analisou dados do Google Brasil entre abril de 2025 e março de 2026 para identificar as tendências de consumo e o perfil de gênero na busca por imóveis, comparando a intenção de aluguel e compra. Com abrangência nacional e base no volume médio mensal de buscas, os dados refletem o interesse online, e não a efetivação de contratos.
Tipos de moradias mais buscadas para alugar
Quando o assunto é intenção de locação, os números deixam pouco espaço para dúvidas. A busca por casas para alugar lidera com folga, registrando cerca de 145,5 mil pesquisas mensais.
Por outro lado, casas à venda aparecem com média de 35,5 mil buscas, uma diferença de mais de quatro vezes. Além disso, outros tipos de imóveis também aparecem no radar dos consumidores de locação:
Essa diferença reforça uma tendência importante dentro do mercado imobiliário: a valorização de imóveis horizontais. Em geral, as casas são associadas a mais espaço, privacidade e flexibilidade de uso. Essas características podem ter ganhado ainda mais relevância com mudanças recentes no estilo de vida, como a valorização do conforto.
Por que a procura por casas para alugar é superior?
A diferença expressiva entre aluguel e compra pode ser explicada por múltiplos fatores que dialogam diretamente com o atual momento econômico e social. Em primeiro lugar, a locação exige menor comprometimento financeiro inicial, o que amplia o acesso à moradia.
Além disso, há uma busca crescente por flexibilidade. Em um cenário marcado por mudanças profissionais, avanço do trabalho remoto e instabilidade econômica, alugar se torna uma alternativa mais viável e menos arriscada.
Outro ponto relevante é o próprio comportamento do consumidor no ambiente digital. A jornada de busca por aluguel tende a ser mais recorrente e imediata, o que eleva naturalmente o volume de pesquisas.
O que os imóveis menos buscados revelam?
Ao observar a cauda da lista, termos como “loft para alugar” e “studio para alugar” aparecem com volumes mais baixos. Ademais, o mesmo ocorre com buscas por salas e quartos individuais.
Embora esses formatos façam parte de novas dinâmicas urbanas e estilos de vida mais compactos, os dados indicam que ainda representam uma fatia menor da intenção de locação, quando comparados a imóveis tradicionais.
Para a gestão imobiliária, isso sugere que a diversificação do portfólio deve considerar tanto as tendências emergentes quanto a demanda já consolidada.
Comportamento de gênero no mercado imobiliário digital
Um dos dados mais relevantes do levantamento está na diferença de comportamento entre homens e mulheres. Existe uma inversão clara de protagonismo.
- Mulheres lideram as buscas por aluguel: 53,8%
- Homens predominam na busca por compra: 50,8%
Esse recorte revela muito mais do que uma simples preferência. Ele aponta para dinâmicas sociais e econômicas que impactam diretamente o perfil do consumidor de imóveis.
As mulheres aparecem como principais iniciadoras da jornada de aluguel, o que reforça sua presença crescente no mercado imobiliário digital. Ainda que o estudo não investigue motivações específicas, alguns fatores ajudam a contextualizar esse comportamento.
A dominância feminina na intenção de locação pode estar relacionada, por exemplo, a busca por praticidade e maior controle do orçamento doméstico. O aluguel, por exigir menor investimento inicial e permitir mais flexibilidade financeira, pode se alinhar melhor a diferentes momentos de vida e organização pessoal.
Outro ponto relevante está no tipo de moradia. Casas de rua, por exemplo, têm menor presença entre mulheres mais jovens, enquanto aparecem com maior frequência entre mulheres casadas ou com filhos, indicando que o perfil familiar também influencia diretamente na escolha do imóvel.
Tendências
Diante desse cenário, a gestão imobiliária passa por uma transformação significativa. Isso porque a digitalização do mercado imobiliário não só amplia o acesso à informação, como também muda a forma como os consumidores buscam, comparam e decidem.
Nesse contexto, a jornada imobiliária já não começa no contato com o corretor, mas nas plataformas digitais. Da busca inicial à assinatura do contrato, o processo se torna mais dinâmico, exigindo respostas rápidas e maior alinhamento com as expectativas do público.
Além disso, o uso de dados e novas estratégias comerciais vem redefinindo o setor. Temas como experiência do cliente e personalização do atendimento deixam de ser diferenciais e passam a ser parte do básico para acompanhar um consumidor cada vez mais digital.
É nesse ambiente que o uso de CRM imobiliário ganha espaço no dia a dia de imobiliárias e corretores. Voltadas às especificidades do setor, essas plataformas reúnem dados de clientes, imóveis e atendimentos em um único sistema.
Na prática, isso facilita a organização das informações e o acompanhamento das negociações. Também permite maior controle das etapas do processo e apoia a análise de dados ao longo da jornada do cliente.
Ao mesmo tempo, o cenário econômico segue como um fator de influência. Para 2026, variáveis como juros, crédito e confiança do consumidor devem continuar impactando o ritmo do setor.