DIREITOS HUMANOS

Iraniana vencedora do Nobel da Paz está sem tratamento após sofrer enfarte na prisão

Ativista Narges Mohammadi, detida por críticas ao regime do Irã, enfrenta quadro grave de saúde e não recebe cuidados adequados, segundo familiares e advogados.

Publicado em 30/04/2026 às 12:23
Narges Mohammadi Reprodução / Instagram

Narges Mohammadi , ativista iraniano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2023, perdeu 20 kg e permanece sem tratamento médico adequado após sofrer um enfarte enquanto cumpre pena na prisão. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 29, pela Fundação Narges.

Segundo a instituição, a defesa de Narges solicita ao Ministério Público de Teerã a suspensão condicional da pena por um mês, permitindo que ela receba cuidados médicos cardíacos especializados. O pedido, no entanto, foi negado, mesmo após o Instituto Médico Legal de Zanjan confirmar a necessidade de licença médica de pelo menos um mês.

O procurador-geral adjunto de Teerã alegou à família do ativista que a cidade de Zanjan dispõe de estrutura suficiente para o tratamento, descartando a transferência para o Hospital Pars, em Teerã. Familiares, porém, afirmam que dois cardiologistas já atestaram a incapacidade dos hospitais locais para realizar o procedimento e garantir os cuidados pós-operatórios necessários. Narges já passou por três angioplastias nos últimos anos, o que aumenta o risco do quadro clínico.

De acordo com a Fundação Narges, um ativista sofreu uma crise cardíaca grave na última sexta-feira, 24, com sintomas como dor torácica persistente e perda de consciência, indicando um enfarte.

Após visita da equipe jurídica na terça-feira, 28, foi constatado que o estado de saúde de Narges é considerado “crítico”. Ela apresenta pressão arterial elevada e não responde à medicação. Além dos problemas cardiovasculares, o ativista continua perdendo peso e sente dores torácicas constantes.

"Acordo todos os dias com o medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não fornecem descrever a devastação que nossa família está sentindo", relatou Hamidreza Mohammadi, irmão de Narges. "Isso não é mais apenas prisão; é uma morte em câmera lenta."

Hamidreza acrescentou: "Cada vez que Narges liga para nossa família da prisão de Zanjan, ela está mais fraca, mais magra e à beira da morte. Eles estão literalmente assistindo à vida dela se esvair e não fazem nada."

A Fundação Narges destacou ainda que, até que um ativista seja avaliado por sua equipe médica habitual e por especialistas, ela não deve ser submetida a novos medicamentos ou procedimentos.

Kiana Rahmani, filha de Narges e copresidente da Fundação, denunciou: "Mais de cento e trinta e oito dias de negligência médica levaram minha mãe à beira da morte. Nem minha mãe, nem qualquer prisioneiro de consciência, jamais deveria ser privado do direito fundamental à saúde."

Chirinne Ardakani, advogada da ativista, afirmou: "Essa negação de cuidados essenciais desrespeita o princípio da dignidade humana, direito de cada indivíduo segundo o direito internacional, e constitui um ato de tortura."

Narges Mohammadi foi preso em dezembro de 2025, após críticas ao governo iraniano, e específico para a Prisão Central de Zanjan, no noroeste do país. Em fevereiro, ela foi condenada a sete anos e seis meses de prisão. Ao longo de sua trajetória como defensora dos direitos das mulheres e opositora da pena de morte no Irã, Narges já foi presa em outras graças e passou, ao todo, mais de dez anos detida.