Rejeição de Messias ao STF desencadeia caça a traidores e tensão no governo
Derrota histórica no Senado expõe fragilidades na articulação política e provoca busca por responsáveis no entorno de Lula.
Após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados passaram a noite identificando possíveis traições e articuladores do revés, o que desencadeou uma onda de tensão e incerteza no governo.
A avaliação ocorreu em reunião no Palácio da Alvorada, logo após a votação. Integrantes do governo apontaram dissidências no MDB e no PSD, atribuídas a um suposto conluio envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo aliados de Lula, Alcolumbre teria atuado para impedir a nomeação de Messias, articulando com Pacheco — seu preferido para a vaga — e com Moraes. A indicação contrariava interesses do chefe do Senado, que desejava manter Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, e teria motivado a movimentação política.
Jantar selou pacto contra Messias
De acordo com apuração, o pacto teria sido firmado em um jantar na residência oficial de Pacheco, na véspera da votação. O objetivo seria evitar mudanças internas no STF. Messias também teria desagradado ministros ao propor a criação de um código de ética para a Corte, ampliando resistências à sua indicação.
Suspeitas e retaliações
No entorno de Lula, recaem suspeitas sobre Renan Filho e Renan Calheiros, ambos do MDB, que teriam votado contra Messias em solidariedade ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, também interessado na vaga. A derrota abriu espaço para possíveis retaliações, como a exoneração de indicados de Alcolumbre no governo. Apesar disso, Lula demonstrou serenidade e buscou confortar Messias após o resultado.
Repercussão e crise política
Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, ficando sete abaixo do mínimo necessário para aprovação. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894. Lula conversou com a Advocacia-Geral da União (AGU) por telefone após a votação, preocupado com o estado emocional de Messias, e indicou que eventuais reações políticas só deverão ocorrer após o feriado, quando houver clareza sobre os responsáveis pela derrota.
A agenda presidencial do dia seguinte incluiu reunião com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, indicado do União Brasil, partido de Alcolumbre. No Congresso, José Guimarães, responsável pela articulação política, reconheceu a gravidade do revés e defendeu que o governo aja com inteligência, evitando decisões impulsivas.
Durante a sabatina, Jaques Wagner (PT) relatou a Lula que o clima no Senado indicava aprovação, o que aumentou a surpresa com o resultado. A derrota evidenciou fragilidades na articulação política do governo e inaugurou uma crise interna, enquanto aliados buscam identificar os responsáveis pelo fracasso.
Por Sputnik Brasil